Se a exploração descontrolada e predatória do mogno continuar do jeito que está, muito em breve essa árvore estará extinta. O mogno já desapareceu de extensas áreas do Pará, Mato Grosso e Rondônia, e há indícios de que sua diversidade e quantidade atuais podem não garantir a sobrevivência da espécie a longo prazo.
A diversidade é um elemento fundamental na sobrevivência de qualquer ser vivo. Sem ela, perde-se a capacidade de adaptação ao ambiente, que muda tanto por interferência humana como por causas naturais.
Além disso, a exploração e comércio ilegais de mogno demonstram que a atual legislação florestal, a estrutura inadequada de monitoramento e os mecanismos de controle do mercado são insuficientes para garantir o respeito à lei, a preservação comercial da espécie e o manejo ecologicamente correto do mogno. É preciso mudar urgentemente esse quadro de desrespeito à lei e destruição ambiental.
A inclusão do mogno no Anexo II da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (Cites) é o primeiro passo para proteger a espécie da extinção. O Anexo II, aliado a novas normas de manejo, ao fortalecimento do papel indutor e fiscalizador do Estado, à atração de um novo tipo de empresário e à certificação independente, são garantias suficientes para que o Brasil possa explorar o chamado "ouro verde da floresta" sem que isso represente um saque ao futuro da Amazônia e das cerca de 20 milhões de pessoas que nela vivem.
Enquanto o mercado não se mostrar capaz de oferecer produtos de mogno certificados pelo FSC, é importante que os consumidores não comprem esses produtos. A certificação é, atualmente, a melhor forma de atestar que o manejo de florestas nativas ou de plantações é realizado de maneira eficaz, ambientalmente adequado, transparente e economicamente viável. Também conhecido como selo verde, o FSC assegura transparência em todo o processo - desde a extração da madeira na floresta, passando pelo processamento na indústria até chegar ao consumidor final.