A receita de uma tragédia

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Notícia - 17 - jan - 2011
Desmatamentos e ocupação de áreas que deveriam ser preservadas, somados às chuvas cada dia mais intensas, são a combinação perfeita para o drama das enchentes.

Nova Friburgo (RJ) - O bairro de Duas Pedras ficou destruído com as fortes chuvas que atingiram o município de Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro. Valter Campanato / ABr

Classificada pela imprensa como o maior desastre natural brasileiro, a enchente que desde terça-feira, 11 de janeiro, acarreta um número recorde de mortos - mais de 670 até o momento, milhares de desabrigados e perdas de produção agrícola na região serrana do estado do Rio de Janeiro é o resultado de uma equação perigosa: eventos climáticos cada vez mais extremos, como chuvas intensas e por longo período e áreas fragilizadas por desmatamento.

Pouco mais de mil quilômetros separam o palco das enchentes e Brasília, arena onde deputados ligados ao agronegócio batalham por mudanças drásticas no Código Florestal brasileiro. Por esta estrada cruzamos alguns dos mais de 100 municípios em situação de emergência ou calamidade pública no Rio de Janeiro e Minas Gerais. Na paisagem, dois dos biomas brasileiros mais desmatados: a Mata Atlântica, que perdeu 93% de sua cobertura florestal, e o Cerrado, devastado pela metade.

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da ONG SOS Mata Atlântica, na última década, o ritmo de desmatamento da Mata Atlântica se manteve em torno de 34 mil hectares ao ano, uma área equivalente a quase 350 mil campos de futebol de mata nativa. No Rio de Janeiro, estado mais castigado pelas chuvas, mais de 80% de floresta já foi desmatado.

Também segundo o INPE, os últimos 60 anos foram de aumento gradativo da intensidade das águas. Chuvas acima de 50 mm por dia, algo raro até a década de 1950, hoje ocorrem entre duas a cinco vezes por ano na cidade de São Paulo, por exemplo. No dia de maior temporal em Nova Friburgo foram 182,8 mm, o que equivale a dizer que para cada metro quadrado, quase 183 litros de água caíram do céu. Em Teresópolis foram 124,6 mm de chuva.

“Eventos extremos, que tendem a aumentar por conta das mudanças climaticas, têm sido cada vez mais freqüentes e intensos. Se há dúvidas sobre como lidar com o problema, existe ao menos a certeza de que a solução não é a derrubada de mais floresta”, diz Nicole Figueiredo, coordenadora da Campanha de Clima do Greenpeace.

Enquanto isto, em Brasília, os deputados ruralistas insistem em transfigurar a legislação florestal. É o caso das Áreas de Preservação Permanente (APP), cuja função é proteger margens de rios, encostas e topos de morros, garantindo a estabilidade geológica e a proteção do solo. Se depender da turma da motosserra, algumas faixas de APP serão reduzidas até pela metade. A proteção de beira de rios com larguras de até cinco metros, por exemplo, passariam dos atuais 30 metros para 15. Ficariam liberados para ocupação também os topos de morro, montes, montanhas e serra e áreas de várzea.

Para visualizar o resultado do ideário da motosserra, basta olhar as imagens da tragédia da região serrana. Aos pés de morros lambidos pela terra, o fruto deste tipo de ocupação e do desmatamento de áreas que deveriam ser preservadas, à revelia do que hoje prevê o Código Florestal, é de pura destruição.

“A legislação florestal existe com um propósito claro, o de assegurar o bem-estar da população. É por questão de segurança que há a necessidade de proteger o solo e os rios”, diz Rafael Cruz, da campanha de Florestas do Greenpeace. “As alterações são propostas pela bancada ruralista são irresponsáveis”, complementa.

O Brasil tem mais de 40 milhões de hectares de Áreas de Preservação Permanente ocupadas irregularmente, uma área equivalente ao estado de Minas Gerais. Muitas destas regiões desmatadas estão em municípios que hoje estão em calamidade pública como Petrópolis e Teresópolis, que já perderam 70% de sua cobertura florestal, e São João do Vale do Rio Preto, com quase 80% desmatados.

A bancada ruralista também espera conceder ampla anistia a quem desmatou até 2008, o que inclui as APPs. “A proposta segue na contramão da necessidade de recuperação de regiões frágeis, seja nas cidades, ou em áreas rurais, responsáveis pela produção de alimentos e o abastecimento de água para as áreas urbanas”, completa Rafael Cruz.

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Hilda

Hilda says:


Eduardo Chagas,

A ilustração da matéria acima não está errada, pois o desenho não apresenta escala, é apenas ilustrativo.
Lógico que quem fez o desenho poderia colocar a distancia de 30 metros um pouco menor mais isso não impede o entendimento do desenho.

Concordo que deve se preservar os rios e encostas mesmo que se tenha que diminuir a dimensão das propriedades.
Que se cultive adequadamente.
Quando se que culivar tem que adaptar o espaço existente as culturas adequadas.

Lógico que em uma area pequena não poderá o pequeno agricultor competir com os grandes agricultores.

Enviado 13 - mai - 2011 às 19:58 Denunciar abuso

Hilda

Hilda says:


Se em locais onde existem muitos morros sobra pouco para o cultivo, se respeitar os 30 metros dos rios, ... então esse local que vai ser utilizado para a agricultura não é o adequado para algumas culturas.
Deve-se utilizar em cada area a ser plantada a cultura que se adapta ao solo e que gerará uma rentabilidade maior.
Se a area é pequena não se deve deixar de proteger as encostas e rios em favor da agricultura mas adaptar o espaço existente fazendo uma cultura que gere mais renda num pequeno espaço.
Pode se plantar algo que seja mais sofisticado e complexo porem que um mercado específico compre.

O Ministério da Agricultura tem que começar a trabalhar.
Esses funcionários que são indicados e não concursados não tem como contribuir com esse país.
Em sua grande maioria empresas publicas não passam de elefantes brancos.

Cada espaço tem sua utilização adequada.
Uma agricultura que não estuda o que o mercado pede, que planta sem um estudo de custo/beneficio é totalmente desatualizada do mundo atual.

Enviado 13 - mai - 2011 às 19:45 Denunciar abuso

Indiara

Indiara says:

Caro eduardochagass,

Os 80% referem-se ao estado do Rio de Janeiro, e não somente à região em questão.


Saber que mesmo perante tragédias deste tipo ainda pensem desta forma é lamentável.
E mesmo que se aplique às áreas rurais, será que a casa do Sr. Zé não estaria ali?

Enviado 4 - fev - 2011 às 21:45 Denunciar abuso

Pedro Geraldo

Pedro Geraldo says:

Gostaria que todas as pessoas que usam esse espaço respondessem à seguinte questão: Por que os senhores e as senhoras não usam esse espaço para se indignarem contra a falta de SANEAMENTO BÁSICO nas cidades brasileiras.
O Código Florestal é um conjunto de leis da década de sessenta, arcaico, apensado de cerca de 16.000(deseseis mil) normas,decretos,resoluções etc., gerando um completo caos para quem lida com nossa legislação ambiental. Essa bagunça é prato cheio para fiscais inescrupulosos que multam visando apenas arrecadar para os cofres públicos,como é aqui em Minas Gerais.
A falta de saneamento básico gera doença para toda a população, principalmente a de baixa renda, além de poluir sistematicamente o Meio Ambiente.

Enviado 1 - fev - 2011 às 16:57 Denunciar abuso

Pedro Geraldo

Pedro Geraldo says:

Esse Sr. Zuenir Ventura entende de letras mas é completamente analfabeto em matéria de meio ambiente e principalmente em matéria de leis. Deveria ele, a meu ver, ficar restrito ao seu ofício ou então estudar sobre o Código Florestal e principalmente, sobre o substitutivo de Aldo Rebelo. Mas veja o que nos diz a senadora Kátia Abreu sobre o assunto: “…- Falar em tragédia versus Código Florestal é sensacionalismo descartável"– disse a senadora, que é também presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CRA).

Enviado 1 - fev - 2011 às 16:45 Denunciar abuso

Leandro Rodrigues Inacio

Leandro Rodrigues Inacio says:

Mais uma vez o governo não faz aquilo que deveria. Para serem eleitos, nossos querido políticos dizem que plantarão árvores. Quando já eleitos, simplesmente esquecem as promessas ou postergam até o dia que algo como essa catástrofe aconteça. E agora? Centenas de pessoas morreram, outra centena está desaparecida, milhares estão desabrigadas... A quem pode ser auferida a culpa? Será que daquele morador que fez sua casa com muito esforço na encosta de um morro (onde teoricamente não poderia ser feita) ? Eu penso que não! Onde está a fiscalização por parte das autoridades competentes? Não deveria haver uma autorização para construção daquelas casas naquele local? O governo deveria pensar: "(político) - Bom, lá essas pessoas não ficar podem. Deveríamos pensar numa alternativa para preservar a segurança da população, arrumar outras áreas para que possam se estabelecer, onde seja seguro! Quem sabe não poderíamos dar "incentivos reais" para que eles possam sair desses lugares uma vez já estabelecidos. De repente poderia tornar fazer desses lugares áreas de preservação ambiental e cumprir as leis." E pensaria em fazer algo do tipo. Afinal, é para isso que eles estão lá. Para fazer coisas pela população. Não somente aumentar seus próprios salários e, para o povo deixar de questionar, dar um pequeno benefício mantendo a política de "Pão e Circo". Todos nós estamos perdendo!

Enviado 25 - jan - 2011 às 11:28 Denunciar abuso

Érika

Érika says:

As florestas ajudam a evitar muitos problemas. Presevar as areas principais e de risco sao fundamentais pra evitar varias catastrofes!

Enviado 24 - jan - 2011 às 22:39 Denunciar abuso

Larii*

Larii* says:

Temos que fazer algo , e logo , porque depois será tarde de mais ...

Enviado 20 - jan - 2011 às 15:47 Denunciar abuso

Bellona68

Bellona68 says:

Somos apenas fruto de nossas ações !
A tragédia era totalmente previsível .

Enviado 19 - jan - 2011 às 22:30 Denunciar abuso

Bellona68

Bellona68 says:

tem um ditado que resume esta tragédia que esta longe de ser um desastre natural
burrice e estrada de chão não tem fim

Enviado 19 - jan - 2011 às 22:28 Denunciar abuso

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