Dilma, desliga a motosserra

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Notícia - 24 - out - 2011
Enquanto os senadores debatem o massacre do Código Florestal brasileiro, os índices de desmatamento voltam a subir

Greenpeace / Rodrigo Baleia

Aparentemente mais preocupada com obras de infraestrutura – que em geral causam desmatamento – do que com a conservação das florestas, a presidente Dilma Rousseff tem se mantido ausente do debate sobre o futuro do patrimônio florestal brasileiro. Mas não deixou de marcar presença hoje na inauguração da ponte que atravessa o Rio Negro, ligando os municípios de Manaus e Iranduba, no Amazonas. O Greenpeace estava lá, para chamar a presidente a agir antes que seja tarde.

Durante a manifestação, foi inflado um balão com a mensagem que a organização vem repetindo desde que a proposta de mudanças na legislação ambiental entrou na pauta dos parlamentares: “Senado, desliga essa motosserra”. Em sua campanha eleitoral, a presidente fez promessas de vetar qualquer dispositivo legal que possibilite mais desmatamentos. Além disso, o Brasil também se comprometeu mundialmente com a redução nas emissões de gases do efeito estufa, principalmente combatendo o desmatamento na Amazônia --feito que rendeu ao país um papel de destaque internacional na questão climática.

“O projeto de lei coloca em risco, de forma irresponsável, a credibilidade do país. Está na hora de a presidente e seus líderes de governo agirem de forma clara, tomando para si as rédeas desse debate e demonstrando ao Congresso que um retrocesso na legislação florestal não será tolerado”, diz Tatiana Carvalho, da Campanha Amazônia do Greenpeace.

Às vésperas de sediar a Conferência Rio+20, os olhos do mundo estão voltados para o Brasil, e o país está atento às decisões da presidente e de seus parlamentares. Mesmo antes de ser votada, a proposta de alterações no Código, que contém promessas de anistia e de estímulo à devastação, já fez estragos e foi sentida nas últimas medições de desmatamento feitas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O monitoramento já indica que a queda do desmatamento, um importante legado do governo Lula, está sendo revertida. Neste ano, os índices de degradação florestal voltaram a crescer. Baseado nos dados do Inpe, o Greenpeace calcula que esse aumento na destruição pode chegar a até 15% com relação ao ano passado.

Durante um comício em Belo Horizonte, no dia 23 de outubro de 2010, Dilma disse que era a favor de uma política de desmatamento zero. “O Brasil pode expandir sua produção agrícola sem desmatar”, afirmou. Uma vez na presidência, Dilma silenciou-se diante da tramitação do novo Código, que saiu da Câmara ao contrário do que a então canditada tinha prometido.

O debate agora corre no Senado. Dilma segue calada, a despeito do alerta do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), da USP (Universidade de São Paulo) e da Universidade de Brasília (UnB). Para estas renomadas instituições, o projeto do novo Código é um estímulo à devastação florestal. Mal se sabe sobre a posição do governo em relação às mudanças previstas. “Com esse comportamento, a presidente está condenando as florestas à motosserra e manchando a sua história política”, diz Tatiana.
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3 Comentários Adicionar comentário
Só depende de você

Só depende de você says:

O voto de cabresto ainda reina em muitos os casos, mais ainda tenho fé que os brasileiros saberão escolher os lideres que detém o poder...

Enviado 26 - dez - 2011 às 8:08 Denunciar abuso

(Não registado) florestpeace

(Não registado) florestpeace says:

rafael voce falou tudo...

rafaeluck says:

Infelizmente esse tipo de patifaria vai continuar a acontecer se nós brasileiros continuarmos agindo com ignorância no momento do voto, elegendo líderes políticos sem base alguma, somente por simpatia ou promessas sem fundamento.

Enviado 1 - nov - 2011 às 1:23 Denunciar abuso

rafaeluck

rafaeluck says:

Infelizmente esse tipo de patifaria vai continuar a acontecer se nós brasileiros continuarmos agindo com ignorância no momento do voto, elegendo líderes políticos sem base alguma, somente por simpatia ou promessas sem fundamento.

Enviado 26 - out - 2011 às 17:52 Denunciar abuso

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