Em carta aberta, ONGs pedem mais ambição no combate ao desmatamento

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Notícia - 13 - set - 2015
Organizações socioambientais lançam manifesto coletivo que pede o fim do desmatamento em todos os biomas brasileiros

Organizações da sociedade civil que atuam no país lançam hoje (14) o manifesto “Desmatamento Zero e o Futuro do Brasil”, que mostra a enorme importância de, como nação, assumirmos a meta de zerar o desmatamento nos próximos anos, algo considerado pelo grupo como “necessário e factível”. Segundo o documento, caso o País não seja mais ambicioso em suas metas de combate a destruição de biomas ameaçados, o Brasil poderá amargar grandes prejuízos em curto prazo.

Área recém desmatada em Roraima (© Greenpeace/Marizilda Cruppe)

A destruição das florestas, somada às mudanças climáticas, pode provocar secas prolongadas em diferentes regiões do Brasil e reduzir a produção agrícola brasileira, gerando um grande impacto econômico e social. Já em 2020 a produção agrícola poderá sofrer um prejuízo anual na ordem de R$ 7,4 bilhões, como consequência da redução de chuvas em diferentes regiões. Tal escassez afetaria também a geração de energia hidroelétrica e o abastecimento de água nas cidades. A boa notícia é que o país já dispõe de tecnologia e áreas abertas em quantidade suficientes para garantir a continuidade e o desenvolvimento da produção de alimentos sem a necessidade de novos desmatamentos.

Os signatários do documento são o Instituto Centro de Vida (ICV), Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Imaflora, Greenpeace, WWF, Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), Instituto Terra, Fundação Biodiversitas, Engajamundo, Idesam, Instituto Socioambiental (ISA), The Nature Conservancy (TNC), Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem (SPVS), Uma Gota no Oceano, Comitê de Coordenação do Observatório do Clima e a Fundação Grupo Boticário. Entre as sugestões defendidas pelo grupo estão o fortalecimento de acordos de mercado que visam o Desmatamento Zero, incentivo público e financeiro à preservação ambiental e o estabelecimento de novas unidades de conservação e terras indígenas.

- Leia o documento na íntegra aqui.

O documento chega apenas poucos meses da próxima Conferência das Partes da Convenção-Quadro da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP21), que acontecerá em dezembro de 2015, e onde diversos países estarão reunidos para estabelecer um novo acordo que leve à redução das emissões de gases de efeito estufa a partir de 2020.

Até o início de outubro o Brasil deve apresentar suas contribuições para este acordo, as chamadas INDC (Intended Nationally Determined Contributions). Uma excelente oportunidade para assumir a meta de eliminar o desmatamento em todos os biomas em menos de uma década, como aponta ser possível o manifesto publicado pelas ONG’s, fazendo com que o Brasil retome a liderança na redução das emissões, aumentando assim a pressão para que outros países também assumam compromissos mais ambiciosos.

Cientistas do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) recomendam que haja uma redução global de 40% a 70% na emissão de gases do efeito estufa (GEE)  até 2050 (com base nas emissões de 2010), e zerar o desmatamento é a forma mais rápida e barata  do Brasil contribuir com essa meta. O País tem plenas condições de fazer isso rapidamente. Para isso, basta ampliar ações positivas em curso e abrir espaço para ações inovadoras que contemplem o controle do desmatamento, a conservação das florestas e seu uso sustentável.

O documento sugere seis ações que podem fazer com que o Brasil alcance o desmatamento zero: Aumento da produção agrícola sem desmate; aumento da eficácia da fiscalização; estabelecimento de novas áreas protegidas; ampliação e consolidação dos compromissos privados e públicos pelo desmatamento zero; uso da tributação para estímulo à conservação; incentivos financeiros para conservação.

A expansão da produtividade deve acontecer em áreas já desmatadas - só de pasto subutilizado são 52 milhões de hectares - e o crédito rural deve concentrar esforços na adoção da agricultura de baixo carbono (Plano ABC), acelerando a prática deste tipo de produção. Outro destaque trazido pelo manifesto é que a cobrança efetiva do ITR – Imposto Territorial Rural - ajudaria a reduzir o desmatamento especulativo e geraria recursos na casa dos bilhões, que poderiam ser aplicados em ações que garantam o fim do desmatamento, como por exemplo, na manutenção de áreas protegidas e em pesquisas e desenvolvimento de tecnologia agrícola.

O Desmatamento Zero não é apenas uma opção viável, mas também necessária para garantir o futuro socioambiental e econômico do Brasil. Além disso, representa o desejo de mais de 1,4 milhão de brasileiros, que já assinaram pelo fim da destruição das florestas do País. Queremos as florestas em pé. Faça parte desse movimento, assine a petição

 

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Denison Ferreira says:

Sensacional a iniciativa! Apoio e estou junto nesta luta! Desmatamento Zero Já!

Enviado 14 - set - 2015 às 17:34 Denunciar abuso Reply

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