O debate florestal nas ruas

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Notícia - 24 - mai - 2010
Passando por oito capitais, o Homem-Motosserra chama atenção para a ameaça das mudanças no Código Florestal, que ruralistas tentam aprovar.

Homem-motosserra não quer conversar, quer só cortar árvores ©Greenpeace/AF Rodrigues

No último fim de semana, os ativistas do Greenpeace foram para as ruas de Belo Horizonte, Brasília, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio, Salvador e São Paulo e carregaram junto o Homem-Motosserra, paródia dos políticos que querem dar fim ao Código Florestal – lei que protege nossas matas desde 1934. Em dois dias, 4.819 pessoas aderiram à petição contra as mudanças na legislação ambiental. Somadas às assinaturas colhidas virtualmente, o número já chega a mais de 50 mil.

Com uma motosserra na mão e outra estampada no peito, o personagem chamou atenção para um assunto que deve ser discutido por toda a população: o futuro das florestas e, portanto, do país. No entanto, esse debate está hoje nas mãos de um grupo de deputados ruralistas, a bancada da motosserra, que tenta empurrar mudanças via uma comissão especial da Câmara, e em pleno ano eleitoral.

No dia 1º de junho, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), relator da comissão, promete soltar o texto com a nova proposta de lei, mais adequada aos interesses do agronegócio. A anistia aos crimes ambientais cometidos nos últimos 50 anos e o aumento de áreas de floresta que podem ser desmatadas nas propriedades rurais são apenas algumas linhas do novo projeto.

Durante o fim de semana, os ativistas do Greenpeace distribuíram panfletos explicativos, conversaram com as pessoas e mostraram como a sociedade foi deixada à margem do debate. "Vimos que a população não está ciente do que está acontecendo com o Código Florestal, o que é grave, pois é um processo que diz respeito ao futuro de nossas matas", observa Rafael Cruz, coordenador da campanha. "Buscamos com essa atividade alertar e engajar as pessoas e, nesse sentido, a atividade foi muito positiva."

No próximo fim de semana, o Homem-Motosserra volta às ruas para dar o seu recado. "O personagem representa o pensamento de pessoas que ainda têm o poder na mão para promover um modelo de desenvolvimento antigo, retrógrado, que não serve mais para o Brasil. Um desenvolvimento à custa de nossas florestas", diz Cruz.

Confira a programação no fim de semana:

29 de maio (sábado)

Belo Horizonte: Parque Municipal - 10h às 14h

Brasília: Republica Blues Festival - 20h às 23h (sexta, dia 28 também)

Porto Alegre: parque da Redenção, rua José Bonifácio, box 10, em frente à Feira Ecológica - 9h às 12h

Recife: parque da Jaqueira, rua do Futuro, 315 - 9h às 12h

São Paulo: viaduto do Chá - 10h às 16h

30 de maio (domingo)

Belo Horizonte: Parque Municipal - 9h às 13h

Porto Alegre: usina do Gasômetro, rua Presidente João Goulart, 551 no térreo

Recife: Marco Zero, praça Rio Branco, Recife antigo - 16h às 19h

São Paulo: Paulista, em frente ao Masp/Trianon - 11h às 16h

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Hélio

Hélio says:

Entrevista O GLOBO: Que problemas tem o Código Florestal?
ALDO REBELO: O principal problema é a impossibilidade da aplicação da lei, de tal modo que o presidente Lula, por decreto, foi obrigado a adiar a entrada em vigor dos dispositivos de uma lei já em vigor. A lei, da forma como foi modificada nos últimos anos, deixa na ilegalidade mais de 90% das propriedades; 75% do arroz produzido no país; 80% da produção de banana no Vale do Ribeira (SP), quase toda a criação de gado no Pantanal; boa parte do café produzido em Minas e ES, da maçã produzida em SC, da uva produzida no Rio Grande do Sul.

A lei é injusta?
ALDO: A legislação transforma em crime ambiental o singelo ato da extração de uma minhoca em área de preservação permanente ou o costume indígena de fermentar a raiz da mandioca dentro de um curso d’água por causa da liberação de ácido cianídrico. A legislação tornou inviável a prática de agricultura e pecuária no Brasil. Não há nada parecido no mundo.

Como solucionar isso?
ALDO: Compatibilizar a nossa legislação, que é avançada, protege a natureza como um bem social irrenunciável, com a sobrevivência da nossa agricultura, outro bem tão importante para a produção de alimentos, a exportação, a economia.

De que forma?
ALDO: Não há necessidade de alterar profundamente a lei. Podemos garantir 20% de cobertura florestal na Mata Atlântica, 35% do Cerrado e 80% da Amazônia, permitindo que cada estado cumpra a obrigação de acordo com sua ocupação territorial, estrutura agrária e condições de seu bioma.

Defende que sejam permitidas atividades nas APPs?
ALDO: Sim. Atividades que não causem dano ao meio ambiente. Tirar uma minhoca da beira do rio, a não ser em escala industrial, não causa dano ambiental irreversível. Devese diferenciar esse uso, relacionado com tradições e costumes, do uso industrial. Se alguém monta uma indústria de pesca com base na coleta de minhoca, o tratamento é outro. Vai depender de licenciamento. Não vejo razão para se criminalizar o uso familiar

Ambientalistas temem que alterações comprometam as metas climáticas.
ALDO: É preciso esclarecer como os países desenvolvidos cumprem suas metas. Querem reduzir os países do Terceiro Mundo. Condená-los a não se desenvolver. Algumas ONGs não estão no Brasil, estão em busca dos nossos bens. Precisamos estabelecer moratória de cinco anos, obrigar os estados a fazer zoneamento. Aquele que fizer vai poder abrir novas áreas para agricultura e pecuária, respeitando o limite estabelecido pela lei.

Enviado 1 - jun - 2010 às 11:24 Denunciar abuso

Hélio

Hélio says:

Vocês estão cometendo uma grande injustiça, com esta figura extraordinaria que é o Deputado Federal aldo Rebelo.
Como Não tem argumentos convicentes para contrapor o relatorio do Deputado, tentam desmoraliza-lo.
Tática chavista mais que conhecida.

Enviado 1 - jun - 2010 às 11:20 Denunciar abuso

pretamorais

pretamorais says:

Muito boa essa iniciativa do greenpeace.


Agora so quero saber quando será MANAUS
?

Enviado 31 - mai - 2010 às 0:05 Denunciar abuso

luiz

luiz says:

Faltou incluir Florianopolis nesta manifestação !!

Enviado 30 - mai - 2010 às 11:45 Denunciar abuso

Fabrisa Anne

Fabrisa Anne says:

Na próxima manifestação, estarei lá para apoiar!!! Se cada um fizer a sua parte, juntos faremos a diferença!!

Enviado 26 - mai - 2010 às 13:42 Denunciar abuso

juhhcalegario

juhhcalegario says:

Ótimo trabalho.Uma forma divertida e inteligente de concientização. Parabens Greenpeace por mais essas idéias e atitudes criativas de informar as pessoas.

Enviado 25 - mai - 2010 às 8:21 Denunciar abuso

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