Notícia - 13 - jun - 2007
É o segundo estudo que comprova o impacto dos milhos modificados da Monsanto em seres vivos. No Brasil, CTNBio deve votar a liberação de outro milho transgênico
Um novo estudo sobre os impactos na saúde de um tipo de milho
geneticamente modificado da Monsanto apontou que cobaias
alimentadas com o produto apresentaram 60 diferenças em relação às
cobaias alimentadas com milho convencional em seus órgãos
internos.
O estudo, desenvolvido pelo instituto de pesquisa Criigen, da
França, revelou alteração nos tamanhos de rins, cérebro, fígado e
coração, além de mudança de peso, de ratos alimentados com milho
transgênico por 90 dias, o que poderia significar sinais de
intoxicação.
O milho transgênico da Monsanto estudado, conhecido como NK603,
tolerante a um herbicida produzido pela própria empresa, já é
comercializado na Europa. "O Greenpeace está preocupado com o fato
de alimentos geneticamente modificados estarem sendo liberados
apesar dos repetidos estudos de curto prazo feitos em animais
indicando impactos negativos na saúde. Nós teremos que nos
alimentar com esses produtos por anos", afirmou Marco Contiero,
analista político sobre transgênicos do Greenpeace Europa.
Este é o segundo estudo feito pela Criigen em três meses que
apontou sinais de intoxicação em ratos alimentados por um milho
transgênico da Monsanto. O outro estudo, publicado em março pela
Archives of Environmental Contamination and Toxicology (Arquivos de
Contaminação Ambiental e Toxicologia), encontrou evidências
similares de danos hepáticos causados pelo milho MON863, também
liberado na Europa.
Nenhuma dessas duas variedades estão liberadas para
comercialização no Brasil. No entanto, a Monsanto já pediu a
liberação da variedade NK603 à CTNBio, que ainda não aprovou. Na
semana que vem, a Comissão deve votar o pedido de liberação
comercial de outra variedade transgênica da Monsanto, o milho
MON810.
"Essas evidências apresentadas na Europa servem de alerta para a
CTNBio, que está encarregada de avaliar os pedidos da Monsanto aqui
no Brasil. Nos dois casos, o que está sendo denunciado é que os
estudos feitos pela própria empresa não são suficientes para
garantir a segurança do produto", disse Gabriela Vuolo,
coordenadora da campanha de engenharia genética do Greenpeace
Brasil. "A CTNBio não pode se basear apenas nos estudos
apresentados pela Monsanto para autorizar o milho MON810 para fazer
a sua análise de risco. É fundamental que a Comissão haja com
cautela e precaução", completou.