O que era ruim ficou ainda pior. Depois que o deputado José Guimarães
(CE-PT) - aquele que teve um assessor flagrado com dólares escondidos na
cueca -
propôs emenda à MP 452 a pedido do presidente Lula e da ministra
Dilma Roussef dispensando licenças ambientais prévias a obras em
rodovias brasileiras, agora foi a vez do senador Eliseu Resende, relator
da MP, acrescentar mais uma dose de maldade na história toda.
O senador do DEM mineiro, que já foi ministro da Fazenda do governo
Itamar - e saiu do governo ao ser acusado de ter intermediado empréstimo
milionário para a empreiteira Odebrecht -, incluiu no texto da MP 425
novos artigos que, em resumo, colocam a construção de estradas no Brasil
fora de qualquer controle dos órgãos ambientais.
A MP vai a votação hoje no Senado e depois volta para apreciação e
votação definitiva na Câmara dos Deputados, porque o texto original foi
bastante modificado. A MP tem que ser votada até semana que vem porque
sua validade é de apenas 90 dias, vencendo no próximo dia 1o. de junho.
"O novo texto proposto pelo senador Resende é muito ruim, porque
transforma os órgãos ambientais brasileiros em meros carimbadores dos
projetos do Executivo de construção de estradas no país. Em alguns
casos, até mesmo dispensa qualquer cuidado de proteção ambiental",
afirma Nilo D'Ávila, coordenador de Políticas Públicas do Greenpeace.
"O licenciamento ambiental é importante principalmente em regiões como a
Amazônia, onde obras rodoviárias significam grande destruição", diz D'Ávila.
Diversos estudos apontam que 75% do desmatamento ocorrem ao longo de
estradas pavimentadas da região. Em muitos casos, como na rodovia
BR-163, que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA), somente o anúncio do
asfaltamento no restante da estrada estimulou enorme migração de
fazendeiros e madeireiros, o que resultou em altas taxas de desmatamento
e modificação drástica da paisagem.
Entre as rodovias beneficiadas está a BR-319, que liga Manaus (AM) a
Porto Velho (RO), cujo asfaltamento é defendido com unhas e dentes pelo
ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, com o objetivo de
pavimentar sua candidatura ao governo do estado do Amazonas em 2010.
Se o Senado aprovar a MP 452 do jeito que está, jogará por terra os
discursos feitos por senadores durante a
vígilia pela Amazônia, semana
passada, incluindo o do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), que
afirmou estar pronto para se alistar entre os que defendem a floresta.