Gases que são liberados durante a exploração de gás de xisto prejudicam a respiração e podem contaminar seres humanos. (© Les Stone/Greenpeace)

 

De umas semanas para cá, o assunto gás de xisto tem estado cada vez mais presente no noticiário. A nova “menina dos olhos” em termos energéticos no mundo, principalmente, nos Estados Unidos, país que desponta como um dos maiores exploradores e com um dos preços mais competitivos suscita debates e opiniões controversas.

A possibilidade técnica de se usar o gás de xisto já é conhecida há muito tempo, mas o custo de exploração só a tornou viável nos últimos anos. Com novas descobertas e melhorias tecnológicas, o gás de xisto ganhou espaço nas matrizes energéticas nos últimos cinco anos e já vem substituindo derivados do petróleo tanto na indústria quanto no transporte. Seu preço cada vez mais competitivo é a razão para que este assunto e as consequências da exploração do gás estejam na pauta do dia.

Um dos possíveis impactos econômicos é que com mais petróleo disponível, e com a queda do preço deste, projetos para a produção de petróleo que são muito caros se tornariam inviáveis. Até a exploração do pré-sal no Brasil poderia ser afetada por essa que de preços, segundo José Goldemberg, professor emérito da Universidade de São Paulo, em editorial no jornal O Estado de S. Paulo.

Mas a questão aqui não é apenas econômica, não basta somente discutir como a exploração de gás afeta mercados e indústrias brasileiras e no mundo. Há um sério e grave problema ambiental envolvendo a exploração do gás de xisto: para fraturar as bacias sedimentares e extrair o gás, grandes quantidades de água tem de ser usada, misturada com areia e substâncias químicas que podem poluir lençóis freáticos. Além disso, o gás liberado não é metano puro, vem acompanhado de nitrogênio e de várias impurezas e outros componentes tóxicos.

Outro agravante é o desconhecimento brasileiro sobre suas próprias bacias. A estimativa de reservas recuperáveis foi elaborada pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos e pela Agência Internacional de Energia e coloca o Brasil entre os dez maiores possíveis produtores. Entre dúvidas sobre tecnologia a ser aplicada, a infraestrutura necessária, os impactos ambientais e tantos outros pontos de interrogação remanescentes, a única certeza que fica é a de que o Brasil deve ir com calma, não achando que o sucesso norte-americano será facilmente replicável.

Leia mais aqui. (editorial de José Goldemberg)

*Ricardo Baitelo é da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.