Indígenas lotaram plenário da Câmara dos Deputados em ato político contra o avanço da bancada ruralista em seus territórios (©Luis Macedo/Câmara dos Deputados).

 

O chamado Abril Indígena, uma série de atividades em homenagem ao Dia do Índio, que é comemorado nesta sexta-feira, 19, tem colocado os indígenas e parlamentares frente a frente. Em manifestação inédita na Câmara dos Deputados, centenas de indígenas de vários povos e regiões do país ocuparam o plenário principal em protesto contra a PEC-215, emenda constitucional que transfere ao Legislativo o poder de demarcar Terras Indígenas.

A persistência foi tal que eles conseguiram um avanço nas negociações: o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, se comprometeu a adiar por seis meses a escolha dos membros da Comissão Especial criada para analisar a matéria. Enquanto isso, Eduardo Alves criou uma comissão negociadora, formada por deputados, representantes indígenas e do governo, para discutir todas as questões relacionadas aos povos indígenas que tramitam na Casa.

As lideranças indíegnas consideraram uma vitória dentro de uma guerra maior contra todos os desrespeitos aos direitos adquiridos pelos povos tradicionais. Álvaro Tucano, do Amazonas, afirmou em ato público nesta manhã que projetos anti-indígenas como a PEC-215 representam um crime de genocídio contra as populações tradicionais do Brasil.

“Esse projeto vai dar espaço ao boi, à soja, ao desmatamento, diluindo todos os direitos conquistados pelos indígenas. Quando nós retiramos madeireiros, mineradores e outros que afrontam nossas terras é para defender a riqueza da nossa floresta. Hoje, pelo menos 13% do território nacional está protegido por Terras Indígenas, que são terras verdes por causa dos índios. Nós somos responsáveis por cuidar da natureza e temos feito isso, mas querem tirar isso de nós”, afirmou Álvaro Tucano.

Nesta tarde, Eduardo Alves estará reunido com deputados para definir a composição da comissão negociadora. Os indígenas prometeram persistir na luta e ocupar a Câmara até terem uma sinalização de que seu espaço nas negociações estará garantido, contra o trator da bancada ruralista.

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