A energia do apocalipse

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Notícia - 13 - mar - 2011
Investir em usinas nucleares sempre foi arriscado. O que acontece agora no Japão é só mais um exemplo do perigo que a insistência de governos pode causar à humanidade

Usina Nuclear de Kashiwazaki Kariwa no Japão © Greenpeace / Jeremy Sutton-Hibbert


Pouco mais de 24 horas após o anúncio do vazamento radioativo na usina nuclear de Fukushima, o balanço dos fatos já assusta. Mais de 210 mil moradores da região onde fica a planta tiveram que ser evacuados e outros 160 estão sendo mantidos em quarentena pelas autoridades, que receiam o risco de contaminação por radiação. Ninguém escapa, crianças, adultos, idosos, animais, plantas. Tudo e todos que estavam ao redor da usina correm o risco de serem afetados pelo vazamento. Isso por que, segundo informações anunciadas pelo governo japonês, a usina não foi planejada para aguentar tremores superiores a 7,9 graus na escala Richter, bem abaixo da intensidade do terremoto que atingiu o Japão, que foi revista hoje para 9 graus.     

As consequências podem ser devastadoras. "O impacto da liberação de radiação ao meio ambiente não impacta apenas a população diretamente afetada na área. A radioatividade perdura por várias gerações, tanto em organismos humanos, quanto em terras que deixam de produzir alimentos ou servir de moradia a populações, como foi o caso em Chernobyl", disse o responsável pela campanha de energia do Greenpeace Brasil, Ricardo Baitelo. 

Em reportagem publicada no jornal americano New York Times, especialistas já haviam alertado que a usina não estava funcionando adequadamente logo em seguida ao terremoto. A reportagem relata que quantidades de césio foram detectadas, uma indicação clara de que o combustível que alimenta a planta já estava danificado. 

Apesar disso, as autoridades se mantiveram inertes por horas até ordenarem a evacuação da área. Horas essas valiosas para a vida de milhares de pessoas. Para Baitelo, a falta de informações claras das autoridades é um dos principais problemas num caso como esse. "As informações que chegam das autoridades são desencontradas. Percebe-se clara falta de transparência quando o governo japonês diz que a situação está sob controle, quando na verdade ainda há um risco ainda iminente de derretimento do núcleo de dois reatores e a probabilidade de mais vapores radiotivos serem liberados ao meio ambiente para o controle da temperatura dos reatores".

No Brasil, apesar de termos "apenas" duas usinas - número irrisório se comparado ao Japão, que possui 55 plantas - o problema não é diferente. Transparência é palavra rara no vocabulário dos administradores do complexo nuclear brasileiro, que não assumem a responsabilidade, por exemplo, da contaminação provocada pela mina de urânio de Caetité. Por aqui a fiscalização e a regulação do setor nuclear cabem ao mesmo órgão, o Conselho Nacional de Energia Nuclear (CNEN), trazendo uma série de contradições entre o desenvolvimento dessas atividades e a garantia da segurança das operações. "A contradicao é que o mesmo setor que promove atividades nucleares e que quer se expandir é aquele que tem que fiscalizar e coibir atividades ilegais e infrações, o que obviamente acaba nunca acontecendo", afirma Baitelo.

Ainda assim o governo brasileiro planeja construir oito novas usinas nos próximos 20 anos. E como se não bastasse, o ilustríssimo ministro de Minas e Energia Edson Lobão, junto com a Eletronuclear, tem ambições ainda maiores: a divulgação de um estudo com 40 locais que poderiam receber plantas nucleares. Para especialistas, está mais do que provado que o Brasil não precisa conviver com os riscos da energia nuclear.  

Mais risco

As últimas informações divulgadas pelo governo japonês mostram que o receio de uma tragédia nuclear de proporções ainda maiores está longe de ser resolvido. Segundo a Folha de S. Paulo, outras duas usinas apresentaram problemas em seus sistemas de refrigeração, o que aumenta as chances de novos vazamentos radioativos ocorrerem. De acordo com anúncio da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), as plantas de Tokai e Onagawa estão recebendo atenção especial de técnicos que tentam esfriar com água do mar os reatores superaquecidos, o que é considerado por estudiosos um ato de desespero. "A situação se tornou tão crítica que não tem mais, ao que parece, a capacidade de fazer ingressar água doce para resfriar o reator e estabilizá-lo, e agora, como recurso último e extremo, recorrem à água do mar", disse Robert Alvarez, especialista em desarmamento nuclear do Instituto de Estudos Políticos de Washington. 


E se o recurso "último e extremo" não for suficiente para manter a situação sob controle? E se outro vazamento radioativo acontecer? O resultado já pode ser visto agora: populações inteiras sendo deslocadas, inocentes correndo o risco de contaminação. Investir em usinas nucleares sempre foi perigoso e o que acontece agora no Japão é só mais um exemplo do que a insistência dos governos pode causar à humanidade. "Infelizmente estamos vivendo mais uma prova real de que a energia nuclear é uma fonte extremamente perigosa, capaz de impactar a vida de milhares de pessoas", disse Baitelo.

17 Comentários Adicionar comentário

Isabela MEI says:

A energia nuclear é, sem dúvida, um sistema que conta com muitos riscos e impactos negativos. No entanto, quando se compara os impactos nega...

Enviado 25 - mar - 2011 às 19:28 Denunciar abuso Reply

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Fayzano says:

O ser humano pensa que pode tudo, ledo engano! Inventa certas coisas e depois que a "bomba" estoura ele entra em pânico!
Qualque...

Enviado 24 - mar - 2011 às 23:43 Denunciar abuso Reply

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England.beatles says:

Realmente, para os japoneses as formas de energias renováveis são limitadas, porém não inexistentes. No Japão, poderiam ser ...

Enviado 20 - mar - 2011 às 22:30 Denunciar abuso Reply

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tallesatyhe says:

Penso que não dá para falar em tecnologia e avanço da ciência sem antes refletir profundamente sobre os riscos que essas usinas p...

Enviado 19 - mar - 2011 às 14:56 Denunciar abuso Reply

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Maggie sing says:

Então, mais uma vez está aí a prova de que o homem 'NÃO É DEUS, e de que toda teoria 'É FALHA".
É ma...

Enviado 17 - mar - 2011 às 14:41 Denunciar abuso Reply

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AdrianaR says:

Depois de ler todos os comentários, fiquei com a impressão de que ainda prevalece no Brasil a falta de informação à respeito ...

Enviado 17 - mar - 2011 às 14:18 Denunciar abuso Reply

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thhd says:

Como o Brasil ainda pretende instalar mais quatro usinas nucleares depois de tudo que está vendo? Porque sempre consultam os interessados, como e...

Enviado 17 - mar - 2011 às 11:38 Denunciar abuso Reply

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Aline Santiago says:

No caso do Japão a energia Nuclear é a melhor para eles, pois a Solar n daria pois em tempos de frio como iria fazer com as hidreletricas ...

Enviado 16 - mar - 2011 às 14:33 Denunciar abuso Reply

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EngRicardo says:

Enquanto as decisões forem tomadas pensando no interesse pessoal e financeiro, enquanto os politicos não trabalharem para o povo e não ...

Enviado 16 - mar - 2011 às 13:26 Denunciar abuso Reply

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says:

Japoneses são povo honrado, povo honesto,povo manso de coraçao. compraram este reator seguindo este mundo irresponsavel começado por um...

Enviado 16 - mar - 2011 às 10:13 Denunciar abuso Reply

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