Pressionamos governos pelo fim progressivo dos combustíveis fósseis e por uma transição energética rápida e justa, realizamos coletivas de imprensa para explicar as negociações e pedimos o cessar-fogo em Gaza.  

Delegação do Greenpeace na COP28 em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
© Marie Jacquemin / Greenpeace

O Greenpeace Brasil participou da 28ª edição da Conferência do Clima das Nações Unidas, a COP28, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, de 30 de novembro a 12 de dezembro. E não estávamos sozinhos: integramos a delegação global do Greenpeace, formada por escritórios da organização de todas as regiões do mundo. Toda a delegação foi recebida de braços abertos pelos colegas do Greenpeace MENA (região que compreende o Norte da África e o Oriente Médio).

Juntos, realizamos manifestações pacíficas pressionando os negociadores por um acordo global pelo fim progressivo de TODOS os combustíveis fósseis até 2050 e pelo fim imediato da exploração dos fósseis em regiões essenciais à vida humana no planeta, como a nossa Amazônia. Também nos manifestamos em prol dos direitos humanos

Explicamos cientificamente as Mudanças Climáticas

Já esperávamos que uma COP cujo presidente, o sultão Al Jaber, é o chefe da empresa petrolífera estatal dos EAU, a Abu Dhabi National Oil Company (Adnoc), seria marcada pelo lobby dos combustíveis fósseis e por fake news. Dias antes de começar a COP28, por exemplo, Al Jaber declarou à imprensa que “não há ciência” comprovando a necessidade de se reduzir o uso de combustíveis fósseis para mitigar os efeitos da crise climática. 

Por isso, na primeira semana de COP, o Greenpeace Internacional organizou uma ação com um grupo de cientistas que explicaram às pessoas que passavam pela Conferência a ciência por trás das mudanças climáticas. Jovens ativistas do Oriente Médio apoiados pelo Greenpeace também participaram da ação. 

Litigância climática

Na segunda semana de COP28, o diretor de Programas do Greenpeace Brasil, Leandro Ramos, se reuniu com o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luís Roberto Barroso, para manifestar a importância do STF nas ações de litigância climática no chamado Pacote do Veneno, cujas ações ainda aguardam julgamento.

Apoiamos a imprensa

Durante as duas semanas de COP, todos os porta-vozes da nossa delegação participaram de coletivas de imprensa e conversas com os jornalistas presentes na Conferência para explicar o caminhar das negociações. 

Alertamos quais eram os pontos de atenção – como a questão dos direitos humanos, evitada por alguns países -, apresentamos dados científicos para ajudar os repórteres a embaesar suas matérias e compartilhamos histórias de membros do Greenpeace que estão na linha de frente das Mudanças Climáticas. 

Uma das histórias de vida que compartilhamos foi a do porta-voz Shiva Gounden, do Greenpeace Austrália Pacífico. Shiva nasceu em Fiji e passou por mais de 25 ciclones em sua vida, tendo sido o último este ano. Uma das nossas colegas do Greenpeace Austrália Pacífico, aliás, teve que abandonar a COP e voltar para a casa, para ajudar a família durante a passagem de um ciclone pela sua cidade, na Austrália.

Coletiva de imprensa com Ghiwa Nakat, Diretora Executiva do Greenpeace MENA; Camila Jardim, Especialista em Política Internacional do Greenpeace Brasil; Shiva Gounden, porta-voz do Greenpeace Australia Pacific
Coletiva de imprensa com Ghiwa Nakat, Diretora Executiva do Greenpeace MENA; Camila Jardim, Especialista em Política Internacional do Greenpeace Brasil; Shiva Gounden, porta-voz do Greenpeace Australia Pacific
© Marie Jacquemin / Greenpeace

Pressionamos os tomadores de decisões

O Greenpeace Brasil embarcou para Dubai com dois pedidos locais: que a Amazônia fosse declarada imediatamente zona livre de exploração de petróleo; e pelo fim das queimadas e do desmatamento no bioma amazônico.

Participamos de encontros do governo federal com a sociedade civil, onde pudemos dialogar com a ministra Marina Silva, o presidente do Ibama Rodrigo Agostinho, além do presidente Lula.

Também levamos na mala uma carta pública aos governadores que integram o Consórcio Amazônia Legal, com uma série de recomendações de ações para deter o desmatamento e evitar a ocorrência de fogo na Amazônia. Entregamos em mãos uma das cartas ao governador Helder Barbalho, do Pará, cujo estado sediará a COP30, e outra ao secretário de Meio Ambiente do Amazonas, Eduardo Costa Taveira.

Yalla!

No penúltimo dia da COP28, o Greenpeace reuniu mais de 65 ativistas para erguerem balões amarelos iluminados por luzes manuais para soletrar a palavra “Yalla!”, a palavra árabe que significa “vamos lá!”, simbolizando o apelo urgente à ação.
© Marie Jacquemin / Greenpeace

No penúltimo dia de COP, reunimos mais de 65 ativistas do Greenpeace e demais organizações na entrada principal da Conferência e, munidos de balões amarelos e lanternas, formamos um painel humano com a palavra YALLA!, expressão árabe para “vamos lá!”, “vamos em frente!”. 

Na sequência, colegas da Rede Artivista se juntaram ao grupo e seguraram a mensagem-chave dessa COP: “Fim da Era dos Combustíveis Fósseis”.

Cessar-fogo em Gaza

Ação do Greenpeace pelo cessar-fogo em Gaza, realizada durante a COP28.
© Marie Jacquemin / Greenpeace

Em apoio aos nossos colegas do Oriente Médio, não podíamos deixar de participar de uma ação simbólica pedindo um cessar-fogo imediato e para sempre na Faixa de Gaza. Respeitando o que foi possível fazer dentro do ambiente civilmente controlado que foi a COP28, abrimos um banner gigante na entrada da Conferência e permanecemos em silêncio, em respeito às vítimas. 

Resultados

A COP28 foi a Conferência do Clima mais importante desde o Acordo de Paris e sinalizou, pela primeira vez na história das COPs, a necessidade de acabar com a era dos combustíveis fósseis.

Nossos pedidos não foram integralmente atendidos, uma vez que não houve um acordo claro e com metas para o fim dos combustíveis fósseis,  mas comemoramos que o texto final da COP28 reconheceu, pela primeira vez na história das COPs, a importância de acabar com a exploração dos combustíveis fósseis.

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