Estudo aponta que área não pode ser atingida por exploração de petróleo

A existência dos Corais da Amazônia foi revelada em 2016 na maior revista científica do mundo, a Science Advances, em um estudo assinado por 39 pesquisadores de 12 instituições, tanto brasileiras quanto internacionais. A descoberta foi considerada uma das mais importantes da biologia marinha da última década. 

Uma das características mais marcantes dos Corais da Amazônia é sua rica biodiversidade. Isso vale tanto para os seres que formam o recife (esponjas-do-mar, rodolitos e corais) quanto para os peixes e outras espécies que circulam pela região e têm no recife um importante local para se abrigar, se alimentar e se reproduzir. Apesar dessa rica biodiversidade ter sido descoberta recentemente, ela já está ameaçada. A Petrobras defende a exploração de petróleo nessa região.

Esse recife é como um ponto de encontro de muitas espécies que vêm de diferentes (e opostos) locais do oceano e precisa ser preservado. Prova disso é um artigo publicado em abril chamou os Corais da Amazônia de “corredor de biodiversidade“. Foram encontrados ali tanto espécies de peixes que são originários do sul do oceano Atlântico quanto do Caribe. O artigo foi resultado dos estudos feitos na primeira expedição que o Greenpeace fez aos Corais da Amazônia, em 2017.

A área da formação de recife é extensa. A área estimada é de 56 mil quilômetros quadrados, abrangendo a faixa que vai da fronteira do Brasil com a Guiana Francesa até o Maranhão. Isso corresponde a uma área sete vezes maior que a região metropolitana de São Paulo, que é a maior do Brasil e tem quase 8 mil quilômetros quadrados.

Um novo estudo que revela a imensidão dos corais foi liderada pelo pesquisador Fabiano Thompson, do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A pesquisa mostra que microrganismos e nutrientes do Rio Amazonas alimentam as esponjas do Grande Recife Amazônico (GARS). O funcionamento do GARS depende de processos de heterotrofia e autotrofia. Microrganismos quimiossintetizante retiram energia de minerais (Hidrogenio, Nitrogenio, Enxofre) para produção de alimento (biomassa e matéria orgânica) para as esponjas.

Microrganismos fotossintetizantes também são relevantes sobretudo ao largo da foz e ao sul da foz do Rio Amazonas onde a luz é mais abundante por conta da menor incidência da pluma do Amazonas. O estudo mostra que o GARS está conectado à Floresta Amazônica, e se nutre de elementos e microrganismos da pluma do Rio Amazonas. Portanto, há um contínuo, rio Amazonas-pluma-recife.

A região do GARS ainda é pouquíssima conhecida. O GARS somente foi descrito em detalhes em 2018 por Francini-Filho et al. A região da Foz do Amazonas é uma das menos estudadas de toda a costa brasileira comparativamente. Além de ser habitat para importantes cardumes de peixe e para a vida marinha em geral. O GARS pode ser considerado uma farmácia submersa. Há riquezas que podem ser transformadas em produtos biotecnológicos, como novos medicamentos e alimentos, para a geração de divisas para o Brasil. Os nutrientes do rio amazonas vem junto com a pluma do Rio Amazonas, uma área que pode chegar a ter mais de 1,27 milhões de Km2. 

Segundo Thompson, os corais têm funções fundamentais no equilíbrio ambiental do planeta. “Também cabe mencionar que mudanças no continente, ocasionadas pela ação humana, podem afetar o funcionamento do GARS, assim como mudanças globais que alterem eventualmente o regime de águas do Amazonas poderiam interferir na dinâmica do GARS, que serve como um banco de “sementes” para recifes mais rasos, das regiões costeiras, um recurso biológico inestimável no contexto das mudanças globais, como aquecimento e acidificação de águas)”, diz.