As chuvas extremas têm causado consequências cada vez mais graves, mas o tamanho da tragédia depende de escolhas políticas.

As chuvas que, no momento, devastam cidades no Sudeste, como Juiz de Fora e Ubá (MG), Paraty (RJ) e litoral paulista, mostram como os eventos climáticos extremos seguem cada vez mais frequentes e intensos. Mas a tragédia não é inevitável; ela é agravada pela falta de adaptação às mudanças climáticas.
Dados do Portal da Transparência de Minas Gerais, por exemplo, mostram que os investimentos em prevenção de impactos das chuvas foram reduzidos em 96% no estado entre 2023 e 2025, de R$ 135 milhões para menos de R$ 6 milhões.
A adaptação climática deve ser uma prioridade do Poder Público. Cidades precisam de investimento em prevenção, infraestrutura e planejamento para que estejam mais preparadas para a crise do clima. A chuva não é a culpada, e sim a omissão do Estado nesta agenda.
Nos mobilizamos para pressionar governos e lideranças a se comprometerem com cidades resilientes e com a proteção de quem mais sofre com os eventos extremos. E precisamos do seu apoio para levar essa mensagem ainda mais longe.

8 soluções que já deveriam ter sido implementadas para frear os impactos da emergência climática:
1) Adaptação e gestão de riscos com prioridade local
O investimento público em políticas de adaptação e gestão de riscos a desastres é de extrema importância para que as perdas e os danos de eventos climáticos extremos sejam minimizados, e por mais que o debate seja fundamental no nível Federal, são os municípios os responsáveis por aplicar as medidas de prevenção, resposta e recuperação dos territórios impactados pelas consequências da crise climática e mudar a realidade nas cidades.
2) Os poluidores devem pagar!
Sendo a indústria fóssil a grande vilã da emergência climática, ao lado dos países desenvolvidos, nada mais justo que eles paguem pela destruição que causaram ao planeta! É por isso que defendemos que, em fóruns como as conferências do Clima da ONU, os líderes globais acordem um financiamento climático com repasse anual de US$ 1 trilhão. Somente assim será possível que os países que mais sofrem com os eventos extremos – e os que menos contribuíram para o agravamento da crise do clima – consigam implementar ações climáticas de reparação, adaptação e mitigação.
3) Não ao “Pacote da Destruição”
Já que o setor agropecuário se diz preocupado e prejudicado com as queimadas, o setor e seus representantes no Legislativo, como a bancada ruralista, devem retirar suas propostas que flexibilizam a legislação ambiental e reduzem a resiliência do país. Cobramos pela retirada de pauta de todos os 25 projetos de lei e três PECs do “pacote da destruição”.

4) Impunidade zero para incêndios criminosos
Os governos (Federal, Estaduais e Distrital, Municipais) precisam responsabilizar e punir devidamente quem comete incêndios criminosos – além de embargar e multar mais, é necessário efetivar o pagamento da multa, o que não ocorre na maioria dos casos.
5) Prevenção e combate com estrutura permanente
Os governos precisam aumentar – e muito! – a capacidade operacional para prevenção e combate aos incêndios. Não adianta termos somente brigadistas em parte do ano. As brigadas precisam ser bem estruturadas e equipadas para prevenir ou conter rapidamente quando o fogo for iniciado, incluindo a constituição de brigadas aéreas.
6) Desmatamento Zero antes de 2030
Os governos precisam continuar combatendo o desmatamento, como também buscar atingir o Desmatamento Zero ainda antes de 2030, já que esta é a maior contribuição que o Brasil pode dar para ajudar a mitigar os efeitos da crise climática que vivemos. Para isso, além de garantir comando e controle efetivos contra o fogo e outros ilícitos, é preciso aprofundar políticas agropecuárias de baixo carbono, tornando-as vinculantes para acesso ao crédito e à assistência técnica.
7) Crédito rural sem ilegalidade ambiental
Instituições financeiras devem vedar a concessão de crédito para imóveis rurais que tenham usado fogo de maneira ilegal. Incluir em seus critérios de concessão de crédito rural, a restrição para tomadores que tenham qualquer tipo de infração ambiental em seu nome e propriedades, seja embargo ou multa e promover ou exigir a rastreabilidade quando o financiamento for destinado à pecuária.
8) Transição energética com justiça e soberania popular
Um dos maiores agravantes da crise climática é a queima de combustíveis fósseis. O Brasil pode se consolidar como uma liderança climática, mas para isso, o país precisa deixar de lado a abertura de novas fronteiras de exploração de petróleo em áreas sensíveis, como a Bacia da Foz do Amazonas, e priorizar uma transição energética justa, inclusiva e popular e modelos de desenvolvimento que respeitem os limites da natureza, os direitos dos povos originários e tradicionais e que contem com o comprometimento de diversos setores do Estado – incluindo a Petrobras.

Solidariedade
O Greenpeace Brasil manifesta toda a solidariedade aos familiares e amigos das vítimas das fortes chuvas em Minas Gerais. Faça parte desta rede e apoie organizações que estão atuando diretamente no território. Algumas indicações:
Cruz Vermelha | Humus BR | Grad Brasil
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