ALTAMIRA, PARÁ, BRASIL: Imagem aérea de queimadas na cidade de Altamira, Estado do Pará. ©2019 Foto: Victor Moriyama / Greenpeace © Victor Moriyama / Greenpeace

Com uma das maiores quantidades de focos de incêndio registrados na Amazônia nos últimos anos, o fogo segue ameaçando a vida da floresta e o clima em todo o mundo. Somente de janeiro a 20 de agosto, o número de queimadas na região foi 145% superior ao registrado no mesmo período de 2018. “As queimadas que estão devastando a Amazônia também estão destruindo a imagem do Brasil. Isso afeta nossa economia e pode agravar a crise econômica e o desemprego. Até mesmo setores do agronegócio já assumem que a política antiambiental do governo pode trazer prejuízos. Em resposta, Bolsonaro fez um pronunciamento em rede nacional, mas não anunciou nenhuma medida concreta para combater o desmatamento. Parecia mais preocupado em salvar a si mesmo do que em salvar a floresta”, afirma Márcio Astrini, coordenador de Políticas Públicas do Greenpeace.

Fotos das queimadas na Amazônia aqui.

Na Amazônia, fogo e desmatamento caminham juntos. Apenas neste ano, 75% dos focos de calor ocorreram em áreas que eram floresta em 2017. Além disso, o desmatamento na Amazônia só piora o ciclo de destruição anunciado pela crise climática que nos bate à porta. Afinal, quanto mais desmatamento e queimadas, maiores são nossas emissões de gases de efeito estufa e, quanto mais o planeta aquece, maior será a frequência de eventos extremos que afetam ainda mais a floresta, a biodiversidade, a agricultura e a saúde humana.

“É urgente e necessário colocarmos um fim nesse ciclo vicioso, enquanto ainda temos tempo. Durante um sobrevoo na região da BR-163 pudemos observar as consequências reais do desmonte da agenda ambiental brasileira: extensas áreas desmatadas, cercadas de fumaça, denunciando o avanço da agropecuária sobre a floresta. Diferentemente do que alega o governo Bolsonaro, a onda de fogo que varre a Amazônia está ligada ao aumento do desmatamento na região”, afirma Danicley Aguiar, da campanha Amazônia do Greenpeace

Dos 23.006 focos de calor na Amazônia registrados nos primeiros 20 dias do mês, 15.749 foram em áreas de florestas ou recentemente desmatada, 5.445 em áreas de pastagem, 832 em formação natural e 602 em áreas de agricultura. Outro dado a ser destacado é que dos 6.295 focos de calor registrados na semana de 16/08 a 22/08, 1.201 (19%) eram em Unidades de Conservação e 364 destes focos (6%) em Terras Indígenas.

“A floresta também tem seu limite, e estamos perigosamente chegando perto dele. Além disso, desmatar só traz prejuízos para nossa economia, para o clima do planeta e coloca em risco a vida de milhares de pessoas. Agir pelo fim do desmatamento deve ser objetivo de todos, e uma obrigação de quem governa o país”, conclui Astrini.

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