O documentário ‘Amazônia: a Nova Minamata?’ retrata a história do povo Munduruku e o debate contou com a presença de Alessandra Munduruku, Davi Kopenawa e Raoni Meuktire

Lideranças indígenas Kayapó (Beptuk e Raoni Metuktire), Yanomami (Davi Kopenawa) e Munduruku (Alessandra Korap). Crédito: © Camila Garcêz / Greenpeace

A exibição do documentário “Amazônia: a Nova Minamata?”, realizada pela Aliança em Defesa dos Territórios, Greenpeace Brasil e Oceans Films, trouxe à luz a dura realidade do garimpo na Amazônia e da contaminação por mercúrio que ameaça a saúde dos povos indígenas.

O filme acompanha a luta do povo Munduruku para conter os impactos devastadores do garimpo de ouro em seu território, enquanto evidencia o paralelo com a doença de Minamata, que nos anos 1970 devastou comunidades no Japão devido à contaminação por mercúrio. No Brasil, a situação é igualmente alarmante: a Saúde Indígena identificou 178 crianças com sintomas do Mal de Minamata na região do Tapajós. Desde o início das filmagens, em 2016, mais de 50 dessas crianças com problemas neurológicos graves já faleceram.

A exibição especial aconteceu no Cine Líbero Luxardo e foi seguida de um cine-debate com lideranças indígenas Alessandra Munduruku, Davi Kopenawa e Raoni Metuktire. Esse diálogo entre indígenas, sociedade civil e imprensa reforçou a urgência de fortalecer a luta contra o garimpo, além de alertar sobre os riscos da contaminação por mercúrio para toda a Amazônia.

O Greenpeace também promoveu uma exposição de fotos que documenta sobrevoos em áreas de garimpo e protestos realizados contra a atividade garimpeira. As fotos de Nuno Godolphim, produtor executivo do filme, também compuseram a exposição.

O impacto do documentário deve ser ampliado nos próximos meses, através da tradução e dublagem em línguas indígenas como Munduruku, Yanomami e Kayapó, com exibições em aldeias principais de cada etnia e formação de agentes multiplicadores para levar o debate às comunidades. O objetivo é informar e mobilizar as populações afetadas sobre os riscos do mercúrio, fortalecendo sua capacidade de combater o garimpo ilegal e proteger seus territórios.

Marcha Indígena leva à COP30 o protagonismo indígena no debate climático

A Marcha Indígena reuniu povos indígenas e ativistas nas ruas de Belém e marcou o Dia dos Povos Indígenas na COP30, abrindo a programação da segunda semana da conferência. A mobilização levou visibilidade às pautas dos povos originários e reforçou seu protagonismo no enfrentamento da crise climática.

© Tuane Fernandes / Greenpeace

Organizada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a manifestação ocupou a capital paraense com a mensagem “A Resposta Somos Nós”, destacando a defesa dos direitos, dos territórios e dos modos de vida indígenas como parte essencial das soluções para a emergência climática.

A mobilização também convocou a sociedade civil a apoiar a luta dos povos indígenas. Por meio da petição #RespeitemAAmazônia, ativistas cobram que líderes globais garantam financiamento direto às comunidades tradicionais, reconhecendo seu papel fundamental na proteção da floresta e do clima.

Diante das ameaças crescentes, é hora de agir coletivamente. Assine a petição Amazônia Livre de Garimpo é um passo concreto para reafirmar o compromisso com a defesa do meio ambiente e dos direitos dos povos da floresta.

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