Discussões para a criação de um instrumento global contra a poluição plástica aconteceram no Canadá mas terminaram sem avanços relacionados à redução da produção de plásticos

Grupos da sociedade civil se manifestaram em Ottawa, no Canada, a favor do fim da Era do Plástico. © Tim Aubry / Greenpeace

A quarta sessão do Comitê Intergovernamental de Negociação (INC-4) para a criação do Tratado Global dos Plásticos terminou na noite de segunda-feira (29), em Ottawa, no Canadá, sem que os líderes globais chegassem a um consenso sobre metas relacionadas diretamente à redução da produção de plásticos.

Os governos – divididos sobre o quão ambicioso deve ser o Tratado – trabalharam na negociação do Texto Preliminar Revisado do instrumento internacional legalmente vinculante e devem promover uma série de reuniões antes da última sessão de negociação, processo chamado de trabalho intersessional.

Apesar do forte apoio de alguns países, como Ruanda, Peru e outras nações signatárias da declaração “Ponte para Busan’’, limites para a interrupção da produção desenfreada de plásticos ainda não foram estabelecidos.

A rodada final de negociação (INC-5) acontece em novembro na cidade de Busan, na Coreia do Sul, onde será aprovado o texto do acordo que será aberto para ratificação em 2025.

Na análise do Greenpeace, a INC4 terminou de forma decepcionante devido à interferência do setor fóssil e petroquímico.

Análise recente do Greenpeace Canadá mostrou que 196 lobistas da indústria de combustíveis fósseis e químicos estavam registrados para as negociações em Ottawa – um aumento de 37% desde a INC-3. A atuação junto aos países pró-petróleo comprometeu o avanço das negociações.

O lobby junto ao governo canadense, sede das reuniões, também disparou antes e durante as negociações anteriores para a criação do Tratado, com destaque para atuação da Dow Chemical, Imperial Oil e Chemistry Industry Association of Canada.

Membros da delegação do Greenpeace estenderam uma faixa pressionando por um Tratado robusto em frente à uma instalação artística que critica a produção desenfreada de plásticos © Tim Aubry/Greenpeace

Para Graham Forbes, líder da delegação do Greenpeace que acompanhou o INC-4, os líderes globais estão perdendo tempo e oportunidades.

Os governos estão ouvindo mais atentamente os lobistas do setor petroquímico do que os cientistas da saúde. Qualquer criança pode ver que não podemos resolver a crise do plástico a menos que paremos de fabricar tanto plástico. Se os países, particularmente na chamada ‘Coalizão de Alta Ambição’, não agirem entre agora e a INC-5 em Busan, o tratado que provavelmente obterão é aquele que poderia ter sido escrito pela ExxonMobil e seus aliados”, critica o porta-voz.

Antes da INC-4, o Greenpeace encomendou uma pesquisa global que descobriu que 80% das pessoas em todo o mundo apoiam um Tratado Global dos Plásticos que corte a produção para impedir a perda de biodiversidade e limitar o aquecimento climático a 1,5°C. A pesquisa foi conduzida em 19 países.

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