#Florestas

Vamos zerar o desmatamento no Brasil

Vamos mostrar que queremos um Brasil sem desmatamento para essa e para as futuras gerações.

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O Governo anuncia que cumpriu sua meta de clima para 2020 com metodologia duvidosa e sem considerar os impactos dos retrocessos ambientais que vem promovendo

Floresta Nacional de Aripuanã. © Daniel Beltrá

A Floresta Nacional de Aripuanã, no Amazonas, é uma unidade de conservação ameaçada de redução, que já sofre com o desmatamento ao redor de sua fronteira © Daniel Beltrá

Em tempos de fake news, é preciso estar muito atento com o uso de dados. Agora, por exemplo, o governo brasileiro anunciou “que cumpriu suas metas de clima para 2020 em função da redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado“. Mas veja: para isso deveriam ser desmatados no máximo 3.925 km2, mas a última taxa de desmatamento divulgada, de 2017, foi de 6.947 km2, ou seja, 77% maior que a meta.

“Os cálculos que o governo utiliza para anunciar a redução das emissões de CO2 por desmatamento deveriam ser transparentes”, diz Cristiane Mazzetti, nossa especialista em Desmatamento aqui no Greenpeace Brasil. Ela explica que, ao incluir nessa conta o que as Terras Indígenas (TIs) e as Unidades de Conservação (UCs) retiram de carbono da atmosfera, o governo levanta uma série de dúvidas, porque parece não considerar a realidade. Embora essas terras sejam fundamentais para a proteção das florestas, elas vêm sofrendo com invasões, retirada ilegal de madeira, desmatamento e queimadas, ou seja, estão perdendo as árvores e o solo natural que funcionam como grandes sorvedouros e armazéns de carbono. “Isso afeta a capacidade dessas áreas de reduzir nossas emissões”, explica Cris.

Já em relação ao uso pelo governo do Cadastro Ambiental Rural (CAR) para calcular a redução de emissões também não é um instrumento adequado. O CAR é um sistema no qual os proprietários precisam mapear e informar o quanto possuem de floresta em suas propriedades rurais. “A inclusão de APPs (áreas de preservação permanente) e de Reserva Legal no CAR não faz sentido porque essas áreas já existiam antes. Com a aprovação do novo Código Florestal em 2012, na verdade, as áreas protegidas pela lei diminuíram ao invés de aumentar, portanto, deveriam contabilizar como perda de captura de carbono e não aumento”, afirma Tasso Azevedo, coordenador do Sistema de Estimativa de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa, do Observatório do Clima.

Além disso, não podemos esquecer, Temer anuncia uma redução de emissões por desmatamento ao mesmo tempo em que propõe e concretiza políticas na direção contrária à proteção da floresta. Exemplos dessa contradição são a medida de redução de áreas protegidas e a Lei 13.465/2017, que incentiva a grilagem de terras, dentre outras propostas que levarão a um aumento do desmatamento e de emissões futuras. Tudo isso coloca em risco, inclusive, o cumprimento brasileiro do Acordo de Paris e pode gerar um custo de 2 trilhões de dólares até 2050 para outros setores da economia compensarem as emissões da floresta, segundo recente estudo publicado na revista Nature.

O que podemos fazer?

Nós do Greenpeace continuaremos cobrando por políticas e ações concretas do governo para conter as mudanças climáticas. O tema é complexo e continuaremos denunciando qualquer tentativa de mascarar a realidade. Mas a sua participação é fundamental em momentos como agora: analise e não vote em candidatos sem compromissos claros com a proteção das florestas, dos direitos humanos e o combate às mudanças climáticas. Caso contrário, essa agenda de retrocessos socioambientais poderá se agravar ainda mais, e com ela, a falta d’água, o aquecimento global, a proliferação de doenças, e muitos outros problemas associados com a destruição da floresta.