O relato de nossa ativista que foi a Pernambuco  limpar o óleo das mentes e dos corações das pessoas.

Em nossa expedição, conhecemos heróis que atuaram como voluntários e sujaram suas mãos para limpar o paraíso em que moram. Foto: © Christian Braga / Greenpeace

O despertador toca e pulo da cama com uma lista mental de coisas que preciso levar para a expedição que faremos em Pernambuco. É hora de arrumar a mala, pegar os equipamentos e partir para conhecer a realidade deixada pelo maior desastre ambiental em extensão do Brasil:  o derramamento de óleo que atingiu nossa costa.

O Greenpeace montou uma expedição por várias cidades de Pernambuco e Bahia e em mar, para fazer alguns mergulhos exploratórios e conhecer os impactos que o óleo deixou nos recifes. Fomos conhecer a opinião de pesquisadores, e, principalmente, para ouvir as necessidades do povo nordestino, que sempre tem a oferecer um abraço caloroso e um sorriso largo.

Chego ao aeroporto de Recife e pegamos… estrada! Sim, estrada. Esta é uma palavra-chave para nós que trabalhamos com a busca de informações qualitativas e da verdade. É necessário caminhar estado adentro para encontrar as histórias, ver a vida das pessoas em vulnerabilidade social, que são, obviamente, as mais impactadas e as menos ouvidas. 

Visitamos a Colônia de Pescadores Z09 de São José da Coroa Grande;  o bairro de Abreu do Una; a Colônia de Pesca Z07, no Rio Formoso; fizemos um mergulho exploratório com os profissionais do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha no Nordeste (CEPENE), no município de Tamandaré, o quilombo de Engenho Siqueira, no Rio Formoso, entre diversos outros lugares. 

Ouvimos muita coisa. Histórias de uma população que sofreu por não conseguir trabalhar, já que a maioria são pescadores e marisqueiras, e que – devido a falta de informação sobre a contaminação ou não dos peixes – perderam quase 90% de seus clientes.

Conhecemos heróis que atuaram como voluntários e sujaram suas mãos para limpar o paraíso em que moram. Nenhum deles pensou se corria algum risco na hora. A ordem era limpar tudo o mais rápido possível para evitar mais males. Vimos as panelas vazias, os freezers cheios de peixe que não conseguiam ser vendidos e toda problemática que esta região vivenciou. 

Muitas vezes, sinto que falar de questões ambientais parece um papo cabeça. Apenas para letrados preocupados com o nosso amanhã. Definitivamente, se você pensa assim, lhe digo: não é. O meio ambiente fala sobre quem somos hoje. Sobre nossa atual qualidade de vida, que envolve aspectos básicos sobre alimentação e saúde. E, obviamente, sobre a possibilidade de vida das próximas gerações. 

Voltei para casa com a certeza que precisamos falar sobre o que é ser ativista no Brasil. Porque essas pessoas não são ecoterroristas ou baderneiras, como muitos pensam. Nós lutamos por você. Mas, não com armas em punho. Nossas armas são nossos talentos, habilidades, estratégia de trabalho e amor enorme ao meio ambiente e ao ser humano. 

Ao chegar em casa, sou abraçada pelo meu filho que pergunta: “Salvou as baleias, mamãeeee?”. Não, filho. Desta vez, fui ajudar a limpar o óleo das mentes e dos corações das pessoas. 

O que o Greenpeace fez para ajudar a resolver a situação do derramamento de óleo? 

  • Centenas de voluntários trabalharam localmente em diversas regiões do País, principalmente, no Nordeste; 
  • Duas expedição de campo, uma em Pernambuco e outra na Bahia, para documentar os impactos do petróleo nas praias e manguezais e conversar com as populações locais que foram afetadas;
  • Fornecemos materiais que respondiam perguntas sobre petróleo, seus impactos, como agir se você encontrasse petróleo ou animais contaminados, entre outras questões;
  • Montamos duas bases de operações, uma no estado da Bahia, outra no estado de Pernambuco com nossos voluntários e funcionários;
  • Fizemos um sobrevoo no Parque Nacional Marinho de Abrolhos para monitorar possíveis manchas de óleo;
  • Denunciamos a contaminação de voluntários que combateram o petróleo;
  • Fizemos um ato pacífico em frente ao gabinete do presidente para solicitar que o Governo tomasse atitudes urgentes para resolver a questão;
  • Compramos centenas de equipamentos de proteção individual, tais como luvas, botas, entre outros, para que os voluntários pudessem fazer seu trabalho de limpeza nas praias com segurança;
  • Tivemos 15 mergulhos de monitoramento, com 340 km de navegação;
  • Coletamos amostragem de água, sedimentos e óleo que foram levados para análise;
  • Produzimos dezenas de matérias que foram usados para esclarecer dúvidas da população e divulgar o assunto de forma nacional e internacional.

Escrito por Vanusa Costa 

Vanusa é uma jornalista apaixonada por escrever histórias de pessoas reais. Seu objetivo é fazer com que as pessoas entendam como a destruição do meio ambiente afeta a vida da população podendo, até mesmo, inviabilizar futuras gerações.