A Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 70 anos, mas pode se tornar um sonho ainda mais distante se não enfrentarmos as mudanças climáticas

Mensagem projetada com laser no edifício onde é realizada a Cop 24

Ativistas do Greenpeace projetam a mensagem “Não há esperança sem ação climática” aos líderes mundiais na COP24, exigindo ações urgentes para reverter o agravamento do aquecimento global © Konrad Konstantynowicz

Instituída pelas Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948, após as barbáries da Segunda Guerra Mundial, a Declaração Universal dos Direitos Humanos teve o propósito de fortalecer o mais elevado dos ideais: permitir que todas as pessoas, independente do sexo, idade, raça, cultura, orientação sexual ou religiosa, vivam com dignidade, liberdade, igualdade, justiça e paz. Sete décadas depois, esse conjunto de direitos inalienáveis ​​e universais continua a ser um alicerce sobre o qual nós do Greenpeace assumimos nosso compromisso com um mundo mais verde e pacífico. Um planeta saudável e harmonioso tem conexão direta com os Direitos Humanos quando começamos a entender a forma como os impactos das mudanças climáticas afetam nossas famílias, comunidades e as gerações do futuro.

Se as emissões de carbono parecem complexas demais, os impactos que as mudanças climáticas têm nos ecossistemas são percebidos diretamente por qualquer um, pois ameaçam a vida humana. Seja pelos danos à saúde física, na falta de comida e de água, na perda de propriedade, plantações, casa e modo de vida. Os mais vulneráveis ​​da nossa sociedade, como crianças, idosos e comunidades marginalizadas, estão em maior risco pois têm menos condições de se defender.

O Amanhã é hoje

Aquecimento global, portanto, não é apenas um problema ambiental, mas também social, humano, civilizatório, e uma questão de direitos. No documentário O Amanhã É Hoje, lançado no último dia 6 e produzido pelo Greenpeace com outras seis organizações da sociedade civil, contamos histórias de brasileiros que já tiveram suas vidas profundamente afetadas pelos impactos do clima. A pequena agricultora que perdeu tudo em seis anos de uma severa seca no sertão de Pernambuco; o comerciante de Friburgo (RJ) que viu sua loja ser destruída e os amigos serem mortos pela enxurrada; a jovem indígena Krikati que se tornou brigadista para enfrentar os incêndios florestais que consomem o seu território; a artesã que precisou abandonar sua casa após o mar engolir um pedaço na sua comunidade, no litoral de São Paulo. Em cada caso, vemos a violação de direitos fundamentais como o direito à vida, à saúde, à alimentação e a um padrão de vida adequado. Confira o trailer do documentário:

Ação urgente

Os Direitos Humanos expressam o direito de todas as pessoas a serem tratadas com igualdade, a viverem em segurança e liberdade e a serem protegidas pelo seu governo. Se hoje já parece muito difícil implementá-los, com o agravamento dos eventos climáticos, se nada for feito na medida necessária, esses princípios podem se tornar um sonho ainda mais distante. E o que já tem afetado alguns pode, em breve, afetar ainda mais gente – eu, você, aqueles que amamos. Dar importância a isto é um dever de todos nós, que nos consideramos humanos.

É por isso que durante a Conferência do Clima da ONU, a COP 24, que ainda acontece na Polônia, 34 especialistas em Direitos Humanos das Nações Unidas ligados às mais diferentes áreas, conclamaram os países a elevar sua ambição e a adotar uma ação firme para limitar a elevação da temperatura global em 1.5 oC. A declaração conjunta histórica tem implicações muito além da Conferência e envia um sinal claro aos governos nacionais e às empresas de combustíveis fósseis. Elas precisam abandonar velhas práticas e energias sujas que aquecem o planeta, sob pena de ferir o mais profundo dos nossos direitos – o direito à vida.