#Florestas

Chega de destruir a Amazônia

Vamos mostrar que queremos um Brasil sem desmatamento para essa e para as futuras gerações.

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O clima não espera: cientistas do IPCC alertam que combater o aquecimento global exige mudanças sem precedentes, mas ainda é possível se não perdermos tempo; e nossas florestas são motivo para ter esperança

Indústria vista ao pôr do sol © Martin Lueders

Limitar o aquecimento global a 1,5 grau se torna mais difícil a cada dia, mas ainda é possível, se agirmos agora, cobrando dos líderes políticos ações firmes © Martin Lueders

O time mais robusto de cientistas do mundo, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em ingles) divulgou nesta segunda-feira, na Coreia do Sul, um novo relatório sobre o caminho para limitar o aquecimento global a 1.5 grau e assim cumprir o histórico Acordo de Paris. É uma tarefa que envolve escolhas difíceis e urgentes, e só poderá ser alcançada se não perdermos mais tempo. Para líderes politicos e corporativos, a mensagem é clara: “Ajam agora!”.

Atualmente, já enfrentamos 1 grau Celsius de aquecimento. Para os cientistas da ONU, que revisaram mais de 6 mil estudos, estamos muito próximos de atingir 1.5o C e até mesmo chegar a 2o C de aquecimento já na primeira metade do século, ou seja, logo daqui trinta anos. Este é o nível mínimo seguro para a forma como vivemos no planeta. A única solução possível, diz o relatório, é reduzir pela metade até 2030 a emissão de gases que esquentam o planeta, para então zerá-las em 2050, além de absorver parte do carbono que já está na atmosfera. Neste caminho não bastam só novas tecnologias e energia limpa – as florestas também terão papel fundamental.

“No cenário traçado pelo IPCC, o futuro da humanidade depende não apenas de eliminarmos os combustíveis fósseis, como carvão e petróleo, e zerar o desmatamento em escala mundial para reduzir as emissões, mas também proteger florestas, savanas e outras formas de vegetação natural para capturar o excesso de CO2 que já está na atmosfera e o que ainda será emitido na fase de transição para uma economia neutra em carbono”, diz o estrategista internacional de Florestas do Greenpeace, Paulo Adário.

Para ele, a melhor e mais aceitável forma de fazer isso é adotar um ambicioso programa de restauração das florestas degradadas em escala global. “Afinal, as árvores são ‘usinas’ naturais de captação de carbono desenvolvidas e testadas há milhões de anos”, afirma.

Floresta amazônica próximo ao rio Tapajós © Valdemir Cunha

As florestas capturam e armazenam o carbono da atmosfera; restaurantes-las é a solução natural mais viável e acessível no enfrentamento do aquecimento global. © Valdemir Cunha

No Brasil, líderes políticos e empresariais têm o dever de ampliar os compromissos já assumidos com a comunidade global e adotar as medidas necessárias para nos proteger dos impactos que já estão sendo sentidos, como secas severas prolongadas e tempestades com força recorde. “Além de acelerar a transição para uma matriz energética 100% limpa e renovável, o país tem o desafio de revolucionar o setor agropecuário – que responde por cerca de 70% das emissões brasileiras, incluído a o ‘pum’ dos rebanhos, o uso de fertilizantes e o desmatamento de novas áreas – e trazê-lo para um patamar sustentável”, afirma.

Desafio ao novo presidente

Seja qual for o candidato eleito. o próximo presidente do país terá a missão de reduzir em 43% as emissões brasileiras até 2030. E isso só poderá ser feito combatendo duramente o desmatamento da Amazônia. Enfrentar as mudanças climáticas é uma obrigação moral para a sobrevivência dos brasileiros, tanto agora como para o futuro.

Pontos-chave do relatório dos cientistas da ONU

  • 2° C de aquecimento global é muito mais perigoso do que se pensava quando o Acordo de Paris foi assinado, em 2015. Estamos mais perto de pontos críticos de ruptura dos ecossistemas e outros riscos importantes do que pensávamos. Quatro das cinco principais razões para preocupação foram revisadas para sinalizar que há riscos substancialmente mais altos para humanos, espécies e economias mesmo com níveis mais baixos de aquecimento.
  • Limitar o aquecimento a 1,5° C em vez de 2° C faria uma enorme diferença para a vida nos oceanos e na Terra. Protegeria centenas de milhões de pessoas de frequentes ondas extremas de calor, reduziria pela metade a proporção de populações que sofrem com a escassez de água e ajudaria a atingir metas de desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza.
  • Limitar o aquecimento a 1,5° C ou menos é um desafio, mas ainda é possível, se formos rápidos, ousados ​​e afortunados, e acelerarmos nossa ação em todas as frentes agora.
  • Existem soluções que podem reduzir pela metade as emissões globais de carbono até 2030, de forma a apoiar as metas de desenvolvimento, construir a resiliência climática e nos fornecer sociedades mais saudáveis ​​e prósperas.
  • Os próximos anos são críticos para o mundo embarcar em um caminho de transformação que reduza as emissões de gases de efeito estufa e aumente as florestas em direção a uma economia neutra em carbono. Com as atuais metas climáticas dos países para 2030, não teríamos chance. Então elas devem ser melhoradas.
  • Precisamos pensar grande, em todos os níveis, com todos a bordo. O desafio é sem precedentes e não será resolvido apenas pela tecnologia ou pela economia. Precisamos de melhor governança e compreensão mais profunda das transformações do sistema, agência e motivação para a mudança. E precisamos nos preparar para os impactos e perdas que não podem mais ser evitados, atendendo às necessidades das pessoas em risco.
  • Estamos agora a 1° C acima dos níveis pré-industriais. Se a temperatura continuar a aumentar no ritmo atual, o aquecimento de 1,5° C será excedido entre 2030 e 2052.
  • Outros 0,5° C aumentarão os impactos, riscos e perdas generalizados. 1, ° C pode ser suficiente para desestabilizar os mantos de gelo, matar até 90% dos corais de água quente, causar sérios problemas à vida marinha, ao Ártico e às pessoas.
  • No entanto, limitar o aquecimento a 1,5° C em vez de 2 ° C reduziria ainda mais os riscos e impactos, em relação a extremos climáticos, perda de espécies, escassez de água, escassez de alimentos, mortes relacionadas ao calor, impactos oceânicos, regiões polares etc.