Convidadas debatem sobre o impacto das COPs na vida cotidiana das pessoas

Em dezembro, o convés do navio ativista do Greenpeace, o Rainbow Warrior, virou cenário para um episódio especial do podcast Mamilos. Comandado pela co-fundadora do podcast, Juliana Wallauer, a conversa teve como tema central uma pergunta urgente: o que as COPs realmente entregam (e o que deixam de entregar) para a vida real das pessoas?

Participaram da conversa Carolina Pasquali, diretora executiva do Greenpeace Brasil, Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil, e a atriz e ativista Laila Zaid. 

O cenário não poderia ser mais simbólico: um navio que há décadas navega pelo mundo denunciando injustiças ambientais e pressionando governos e empresas por mudanças estruturais.

Das negociações globais ao calor na sua cidade

As COPs (Conferências das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas) são, em teoria, os principais espaços globais para enfrentar a crise climática. Mas, na prática, suas decisões chegam (ou deixam de chegar) ao cotidiano das pessoas de forma muito concreta.

Quando metas são adiadas ou acordos são enfraquecidos, o resultado aparece em ondas de calor cada vez mais intensas, enchentes mais frequentes, insegurança alimentar, aumento no preço dos alimentos, impactos na saúde e cidades que não conseguem proteger suas populações mais vulneráveis.

O episódio parte justamente dessa questão: como decisões diplomáticas, muitas vezes distantes e técnicas, moldam o prato de comida, o transporte, o ar que respiramos e a conta no fim do mês.

Justiça climática é justiça social

A conversa também reforçou algo que os movimentos socioambientais vêm afirmando há anos: a crise climática não é apenas ambiental, ela é profundamente social.

Quem menos contribuiu para o aquecimento global é quem mais sofre seus impactos. Mulheres, populações negras, povos indígenas, comunidades periféricas e países do Sul Global estão na linha de frente das consequências, ao mesmo tempo em que enfrentam menos acesso a recursos e proteção.

Ao trazer vozes que articulam meio ambiente, direitos humanos e cultura, o episódio amplia o debate e mostra que falar de clima é também falar de democracia, de direitos humanos e de escolhas políticas.

Um símbolo de resistência

Gravar a bordo do Rainbow Warrior não foi apenas uma escolha estética. O navio carrega uma história de enfrentamento pacífico e de denúncia das violações socioambientais ao redor do mundo.

Transformar esse espaço em palco para um debate público foi também uma maneira de afirmar que a transição para um futuro mais justo precisa ser coletiva, informada e participativa. A pressão popular é fundamental para que as COPs avancem do discurso à implementação.

Abrir a temporada de 2026 do Mamilos com essa conversa foi um convite a acompanhar criticamente as próximas negociações climáticas e a entender que o que está em jogo não é abstrato: é a vida concreta das pessoas, hoje.

Quer ouvir a conversa completa? O episódio está disponível nas seguintes plataformas: Apple Podcasts | Spotify | Youtube.

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