Acidente descarregou 14,945 m³ de fluído de perfuração na Bacia da Foz do Amazonas no último domingo

Greenpeace Brasil, ao lado de outras organizações, entraram em 2025 com uma Ação Civil Pública contra o Ibama, a Petrobras e a União, pedindo a suspensão imediata das atividades e a anulação da licença de operação concedida à Petrobras para exploração do Bloco 59

Expedição Costa Amazônica Viva do Greenpeace Brasil a bordo do veleiro Witness com o objetivo de documentar os potenciais impactos da exploração de petróleo na costa amazônica, em 2024
© Enrico Marone / Greenpeace

São Paulo, 7 de janeiro de 2026 – No último domingo (4), foi registrado um vazamento de fluido durante as atividades de perfuração do poço Morpho, conduzidas pela Petrobras no Bloco 59, na bacia da Foz do Amazonas. Segundo a empresa, as operações no local serão paralisadas por até 15 dias. O vazamento ocorreu a aproximadamente 2.700 metros de profundidade, com descarga direta para o mar, e teve volume estimado foi de 14,945 m³, o equivalente a cerca de 15 mil litros de fluido de perfuração, composto por uma mistura de sólidos, líquidos e produtos químicos.

“Este vazamento anuncia velhas queixas: é inadmissível a continuidade das operações de perfuração no Bloco 59, que expõem a Foz do Amazonas, sua biodiversidade e as comunidades locais a riscos ambientais graves. Adiar a decisão de suspensão dessas atividades é aceitar que o próximo vazamento, de fluido ou de petróleo, transforme uma tragédia previsível e evitável em realidade”, afirma a coordenadora da frente de Oceanos do Greenpeace Brasil, Mariana Andrade.

Greenpeace Brasil e outras organizações movem processo contra exploração de petróleo na Amazônia

Em outubro de 2025, oito organizações e redes dos movimentos ambientalista, indígena, quilombola e de pescadores artesanais entraram com uma ação na Justiça Federal contra o Ibama, a Petrobras e a União, pedindo a suspensão imediata das atividades e a anulação da licença de operação concedida à Petrobras para exploração do Bloco 59, que autorizou a empresa iniciar a perfuração de petróleo na bacia sedimentar da Foz do Amazonas.

Trata-se de uma Ação Civil Pública que ressalta que o estudo de impacto ambiental apresentado pela Petrobras, em suas inúmeras versões e adendos, permanece insuficiente para prever impactos socioambientais do empreendimento. Além disso, argumenta que não foram realizados estudos de impacto climático e nem a consulta livre, prévia e informada aos povos indígenas, quilombolas e povos e comunidades tradicionais impactados pela atividade.

Com este novo fato do vazamento, o Greenpeace Brasil e as demais entidades reforçam que não existe atividade de exploração de petróleo que esteja livre de riscos e que a Petrobras, por mais qualificada que seja, não está imune a falhas em suas operações que, neste caso, podem expor um ecossistema sensível e ainda pouco conhecido a danos irreparáveis. 

O vazamento tem relação direta com os riscos ambientais apontados pelo processo. A ausência de uma modelagem atualizada limita estimativas de impacto em casos como esse sobre ecossistemas marinhos sensíveis, como o Grande Sistema Recifal da Amazônia. Informações sobre o vazamento foram levadas ao processo, no qual os autores reiteram a urgência de uma ação imediata do Judiciário na suspensão da licença de operação.  

“Este não é um episódio isolado. A perfuração de poços de petróleo em alto-mar é uma atividade extremamente complexa e de alto risco, frequentemente associada a vazamentos de óleo e outros compostos químicos, que podem causar efeitos devastadores sobre o meio ambiente. Entre 1975 e 2014, operações desse tipo, como a que ocorre no Bloco 59, foram responsáveis por 95,22% dos acidentes registrados em plataformas de perfuração e produção em águas profundas. Os impactos e riscos são evidentes, por isso a medida judicial de suspensão das atividades é necessária, com base nos princípios da prevenção e da precaução”, afirma Daniela Jerez, advogada do Greenpeace Brasil.

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