Neste 7 de setembro, Greenpeace faz um balanço dos 200 anos de independência do Brasil e chama atenção para a destruição da floresta amazônica

Crédito: © Christian Braga / Greenpeace

São Paulo, 7 de setembro – A primeira riqueza usurpada do povo brasileiro foi uma árvore, o famoso Pau Brasil. Não somente uma, mas 2 milhões de árvores durante o primeiro século de exploração portuguesa, segundo registros do Arquivo Nacional –  o correspondente a seis mil km² da Mata Atlântica. Não foi à toa que deram nome de árvore a esta nação. Quando conquistamos nossa independência, quase já não havia Pau Brasil para contar história. 

Duzentos anos depois, assistimos mais uma vez nossas árvores e povos tradicionais tombar sobre essa terra. Porém, dessa vez, numa velocidade inimaginável: um terço de toda a perda de vegetação nativa do Brasil se deu nos últimos 37 anos (MapBiomas). E se os portugueses levaram um século para arrancarem 2 milhões de Pau Brasil no passado, os novos desmatadores levaram menos de 9 meses para cortarem mais de 361 milhões de árvores somente da Amazônia Legal em 2022, de acordo com dados calculados pelo Greenpeace Brasil.

Na semana em que comemoramos nosso bicentenário de independência, nossas florestas estão em chamas: de 1 a este 6 de setembro, já são 16.698 focos de calor, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), quase que a mesma quantidade de focos registrados durante todo o mês de setembro de 2021 (16.742 focos). 

“No dia da independência, e na mesma semana em que se comemora o Dia da Amazônia, os números referentes à queimadas e incêndios florestais só reforçam que estamos repetindo a mesma dinâmica predatória de 200 anos atrás, propagando uma economia da destruição que ainda se alimenta fortemente de recursos naturais ao passo que não traz o tão almejado desenvolvimento real para a Amazônia.”, declara Cristiane Mazzetti, porta-voz de Amazônia do Greenpeace Brasil. 

O Índice de Progresso Social, que analisa variáveis socioambientais, revelou que, em 2021, a média do índice para os municípios da Amazônia Legal foi 16% inferior à média nacional e a diferença é ainda maior em municípios com altos índices de desmatamento.

“Estamos entregando um patrimônio que é dos brasileiros e brasileiras nas mãos de criminosos que avançam sobre a floresta aceleradamente e cujas ações ganharam força especialmente nos últimos três anos pela gestão claramente anti-ambiental do governo federal.”, completa Cristiane.

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