Com a participação especial dos renomados atores, produção do Greenpeace dramatiza processos judiciais abusivos e perseguição ao ativismo

O Greenpeace lança globalmente, nesta quinta (28), um curta-metragem que dramatiza e denuncia processos judiciais abusivos movidos por grandes corporações contra ativistas e organizações. Grandes nomes, como o ator vencedor do Oscar Javier Bardem e a atriz Yasmin Finney, protagonizam a produção especial. 

Processos do tipo Slapp (sigla em inglês de “Processos Estratégicos Contra a Participação Pública”) são ferramentas cada vez mais utilizadas por grandes empresas e bilionários para silenciar mobilizações públicas e intimidar ativistas e organizações da sociedade civil com custos processuais exorbitantes. 

É exatamente este o interesse da Energy Transfer, empresa de gasodutos e gigante do setor fóssil, que, nos últimos anos, vem movendo diferentes ações judiciais contra o Greenpeace Internacional e organizações do Greenpeace nos Estados Unidos. 

No centro do caso, a retaliação à solidariedade da organização ambiental a indígenas da região de Dakota do Norte, que protagonizaram uma histórica resistência pacífica contra a construção do gasoduto Dakota Access entre 2016 e 2017.  

Para o Greenpeace, o processo é também uma flagrante tentativa de apagar a liderança indígena do movimento de Standing Rock, como ficou conhecida a mobilização, e de tornar o “custo da dissidência” alto demais, com o objetivo de minar novas manifestações e denúncias.

“Fiz este filme com o Greenpeace porque eles estão travando uma batalha legal monumental sobre a liberdade de expressão, mas, na verdade, trata-se de algo muito maior: tentativas generalizadas de silenciar o ativismo”, afirma Javier Bardem. 

O ator e ativista também faz um alerta importante: “O tipo de processo judicial usado pela empresa de gasodutos Energy Transfer também está sendo usado para silenciar jornalistas, artistas e pessoas comuns que se importam com suas comunidades. A questão não é por que se manifestar. Mas, sim, como poderíamos não fazê-lo se quisermos ter a mesma liberdade no futuro?”

Susannah Compton, porta-voz do Greenpeace Internacional, ressalta a importância do lançamento do curta-metragem e do holofote que os atores e a organização estão trazendo sobre essa tática de assédio judicial. 

“A ameaça global de táticas de intimidação corporativa, como os processos SLAPP, é uma crise existencial para a liberdade de expressão e de protesto de todos que ousam falar contra os poderosos — quer o Greenpeace concorde com eles ou não. Se não defendermos nosso direito de resistir, entregaremos o futuro a alguns oligarcas que veem o poder como uma ferramenta para o império, em vez de uma responsabilidade compartilhada.”

Outras gigantes dos combustíveis fósseis, como Shell, Total e ENI, também moveram ações SLAPP contra organizações do Greenpeace nos últimos anos. Alguns desses casos foram interrompidos com sucesso. 

Atualmente, a luta é contra a sentença de US$ 345 milhões, determinada pelo Tribunal de Dakota do Norte, no processo abusivo da Energy Transfer. 

Na Europa, o Greenpeace Internacional, com sede na Holanda, busca justiça por meio de um caso anti-SLAPP histórico que visa responsabilizar a empresa por seus processos abusivos consecutivos, sob a lei holandesa e a nova diretiva anti-SLAPP da União Europeia.

Segundo a atriz britânica Yasmin Finney, indicada ao Children’s and Family Emmy Award, o direito de protestar no Reino Unido também vem sendo criminalizado. 

“Poucas pessoas acreditam ou veem que nossos direitos estão realmente sob ameaça, e é por isso que fizemos este filme: a luta legal do Greenpeace contra a Energy Transfer é um exemplo de resistência, mas existem muitos outros. Valentões respondem à força e à união, e é disso que precisamos mais no momento”, defende Finney.

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