Apesar de serem essenciais para a agricultura e manutenção da biodiversidade, milhões de abelhas estão morrendo no Brasil por causa dos agrotóxicos

Bees on Blossoms in Germany. © Axel Kirchhof / Greenpeace
© Axel Kirchhof / Greenpeace

Tão pequenas e tão potentes! As abelhas são fundamentais para a segurança alimentar em todo mundo, sendo responsáveis por polinizar a maioria das plantas e dos vegetais que nutrem todas as espécies. Mas, infelizmente, a importância dessas polinizadoras para a produção global de alimentos não está impedindo seu risco de extinção. 

Nos últimos cinco anos, mais de 500 milhões de abelhas morreram só no Brasil e o principal motivo é a utilização abusiva de veneno. Ou seja, o primeiro passo para evitar a morte massiva das abelhas é combater e reduzir o uso de agrotóxicos, conforme as diretrizes da Plataforma Intergovernamental para Biodiversidade (IPBES) da ONU. 

“Quase metade dos agrotóxicos matadores de abelha que já vem sendo proibidos mundo afora estão vindo parar no Brasil”, destaca Marina Lacorte, porta-voz de Agricultura do Greenpeace Brasil. “Esses insetos oferecem um serviço de valor inestimável para o planeta: a polinização. Além da contribuição para a manutenção das florestas, a ameaça a esses animais é um tiro no pé na produção de alimentos e da sobrevivência humana”.

Brasil é maior importador de agrotóxicos letais às abelhas

Os neonicotinóides, ou neônicos, são agrotóxicos altamente nocivos aos insetos polinizadores e já foram banidos pela União Europeia, que possui uma legislação rígida contra agrotóxicos e proíbe o uso de vários. Porém, empresas do bloco europeu seguem fabricando e vendendo esses venenos ao Brasil, onde a lei é muito permissiva. 

Investigação do Greenpeace e da Public Eye revelou, pela primeira vez, a escala das exportações de agrotóxicos neônicos planejadas pela União Europeia: seis mil toneladas de venenos que matam as abelhas foram destinadas ao Brasil só em 2021. 

ativista segura várias abelhas mortas na mão
Os agrotóxicos são uma das principais causas da mortandade de abelhas. Sem elas, a segurança alimentar estará seriamente ameaçada. © Mitja Kobal / Greenpeace

Se aprovado, o acordo UE-Mercosul vai agravar essa desigualdade global no uso de venenos, já que a resolução isenta os impostos sobre quase 90% dos agrotóxicos feitos pela União Europeia, incluindo os já banidos pelos países europeus, mas que ainda são liberados nos países da América do Sul.  

Agricultura sem veneno é solução

A ciência e a sociedade estão unidas dizendo: chega de agrotóxicos! É possível alimentar todas as famílias sem veneno e com saúde através da agroecologia, basta melhorar e aumentar os investimentos e políticas para o setor. 

A produção agroecológica de alimentos é feita em harmonia com a natureza e seus animais, além de zelar pela saúde dos agricultores e consumidores, é crucial também no enfrentamento e na adaptação às mudanças climáticas. 

Honeycomb Frames in Germany. © Fred Dott / Greenpeace
Apiário cheio de abelhas e favos de mel. © Fred Dott / Greenpeace

 “O que temos hoje é uma agricultura suicida, que esgota as riquezas naturais e coloca a população em risco. Não podemos mais adiar a redução no uso de agrotóxicos e uma transformação agroecológica”, ressalta Lacorte. 

Manifesto pelas Abelhas

Para frisar a importância dessas polinizadoras, o Greenpeace lançou no dia mundial das abelhas (20/05) o manifesto “Salve as Abelhas”. O objetivo é alertar para os impactos dos agrotóxicos sobre essa espécie tão importante para todos nós. É possível reverter essa realidade se a gente continuar se mobilizando! 

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