Apesar das duas semanas de reunião entre governantes do mundo todo, a área de proteção marinha não foi aprovada. A Antártida e os seres que moram ali continuarão ameaçados pela sobrepesca, aquecimento global e poluição.

Icebergs in Charlotte Bay in the Antarctic. © Christian Åslund

Icebergs na Baía de Charlotte, na Antártida, registrados no começo de 2018. O Greenpeace fez uma expedição até o continente de gelo para mostrar as belezas da região e a importância de protegê-la. Foto: © Christian Åslund / Greenpeace © Christian Åslund

Durante as duas últimas semanas, a criação do Santuário do Oceano Antártico estava sendo debatida. Mas, dessa vez, a proteção da natureza não falou mais alto 🙁

Na reunião, que aconteceu na Tasmânia, apesar de 22 países terem sido favoráveis ao Santuário, os governos da Noruega, China e Rússia foram contra. Isso foi suficiente para barrar a criação dele. Essas três nações fizeram de tudo para atrapalhar e atrasar a reunião.

Sem a criação do Santuário, que seria a maior área protegida da Terra, a vida na Antártida permanece ameaçada, principalmente pela sobrepesca, pela poluição e pelo efeito das mudanças climáticas. Entre as espécies em risco estão pinguins, focas e baleias que habitam a região, entre tantos outros seres.

Como as águas que cercam a Antártida não são apenas de uma nação, quem toma decisões sobre elas é um órgão internacional: a Comissão do Oceano Antártico. Oficialmente conhecida como CCAMLR, a comissão é composta por 24 países mais a União Europeia. Sua missão é cuidar da vida marinha da Antártida e garantir que os mares ali não se tornem uma área com pesca em excesso – o que desequilibra todo o ecossistema e ameaça a existência de espécies.

Todos os países da comissão precisavam concordar com a criação do Santuário para que ele fosse criado. Por isso, a oposição de apenas três foi suficiente para barrar essa medida tão importante.

Ativistas do Greenpeace colocam banner em um navio de pesca industrial

Neste ano, nossos ativistas foram até a Antártida e protestaram contra a pesca predatória ali, que ameaça animais, como as baleias. Foto: © Paul Hilton/ Greenpeace © Paul Hilton

Uma nova esperança para a proteção dos oceanos

Hoje é um dia triste para quem se preocupa com o meio ambiente, mas não é o fim. Na verdade, é apenas uma etapa de um processo que vamos seguir adiante. Mais de 2,7 milhões de pessoas se uniram para proteger a Antártida e assinaram nossa petição. Isso é muito significativo e prova que há muita gente interessada no bem do planeta. E que juntos podemos fazer muitas coisas.

Uma próxima etapa para que possamos defender a Antártida é pensar em como protegemos os oceanos do planeta como um todo. Em breve, teremos uma chance para mudar  para melhor a forma como fazemos isso.

Atualmente, as Nações Unidas estão debatendo o chamado Tratado Global para os Oceanos, um novo acordo entre os países do mundo que visa fortalecer nossos cuidados com as águas do alto-mar. Se for aprovado, ele vai abrir uma porta para a criação de muitas áreas marinhas protegidas, como gostaríamos que fosse o Oceano Antártico.

É uma esperança para quem segue na caminhada para ver os mares protegidos. E você, topa continuar com a gente nessa caminhada?