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Sem Floresta, Sem Vida: Apoie a Luta dos Povos Indígenas

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Os agentes constataram o que os indígenas vêm denunciando neste momento, inclusive na ONU: suas terras estão sendo alvos de criminosos para roubo de madeira

Força tarefa na TI Karipuna apreendeu veículos, equipamentos e madeira © Divulgação

Entre os dias 17 e 21 de junho a Terra Indígena (TI) Karipuna, em Rondônia, recebeu a “Operação Ajuricaba V”, uma força tarefa entre militares do Exército, fiscais do Ibama e agentes da Polícia Federal e Força Nacional, com o objetivo de barrar ações de madeireiras ilegais e de crimes ambientais, principalmente, em relação ao avanço do desmatamento na região, que as lideranças indígenas vêm denunciando frequentemente, sob alto risco de vida.

A operação, que vasculhou o interior da TI Karipuna e fiscalizou madeireiras no distrito de União Bandeirante, vizinho à terra indígena, revistou 140 veículos e 16 pessoas flagradas na região, uma das quais foi detida. Também foram apreendidos tratores, caminhões, um automóvel, uma motocicleta e 123 máquinas diversas, como motores elétricos, motosserras e amoladores de serra. Também foram recolhidos 30 metros cúbicos de madeira, uma espingarda e munições.

SOS Karipuna

Esta foi a segunda operação na TI Karipuna em menos de um mês. Em junho, também foi realizada a Operação SOS Karipuna, evento que integra a Operação Ajuricaba V, que expediu mais de 50 mandados de prisão temporária, prisão preventiva e de busca e apreensão, além de mais de 20 medidas como quebras de sigilo bancário, suspensão das atividades e lacração de estabelecimentos, e o sequestro de mais de R$ 46 milhões de bens dos investigados.

A megaoperação focou em ações de grilagem (apropriação ilegal de terras), o loteamento e a comercialização de áreas no interior da Terra Indígena (TI) Karipuna, além de “lavagem de madeira” – um esquema ilegal de obtenção de créditos virtuais para a comercialização de madeira extraída da TI Karipuna através do Sistema de Emissão de Documento de Origem Florestal (Sisdof).

Denúncias na ONU

O povo Karipuna vem denunciando a grave situação de seu território nas mais diversas instâncias, dentro e fora do Brasil. Entre os dias 25 e 28 de junho, Adriano Karipuna participou, junto a lideranças Guarani e Kaiowá, da 41ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU), em Genebra, na Suíça. Em um encontro com a presença fria de representantes diplomáticos do governo, ele narrou as ameaças a que o povo Karipuna, suas lideranças e seu território estão submetidos. Para Adriano, grileiros e madeireiros sentem-se “empoderados e legitimados” pelos constantes discursos anti-indígenas do presidente Jair Bolsonaro.

Adriano Karipuna (de costas, com cocar) denuncia as ameaças que seu povo vem sofrendo em evento paralelo realizado durante o encontro do Conselho de Direitos Humanos da ONU – Foto: Paulo Lugon © Divulgação

“Nós, povo Karipuna, vivemos a eminência de um genocídio”, afirma Adriano Karipuna em sua manifestação ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. “Nosso território é nossa vida e toda a nossa existência tem conexão direta com a Mãe Terra. Estamos gritando por socorro”.

Terra indígena Karipuna reúne lideranças 

A Terra Indígena Karipuna é dos territórios que mais sofre com ações criminosas e de desmatamento. Homologada em 1998, seu território já tem mais 11 mil hectares destruídos, sendo um dos principais alvos de invasores e grileiros que atuam em Rondônia.

Em abril deste ano, 18 lideranças indígenas de Rondônia, do noroeste do Mato Grosso e do sul do Amazonas participaram I Encontro da Terra Indígena Karipuna. Um evento inédito que revelou que o desmatamento e invasões eram desafios que todos os povos ali presentes enfrentavam diariamente em suas terras.

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e o Greenpeace apoiaram o encontro que teve como objetivo “fortalecer a luta e a resistência do povo Karipuna na defesa de sua terra tradicional”.