Todos os estados nordestinos foram afetados e o petróleo vai mostrando o tipo de impacto que pode causar na natureza, na população e economia local

manchas de óleo em praia da Paraíba

Óleo que chegou a mais de 100 localidades do Nordeste. © Governo do Sergipe/Divulgação

Há mais de um mês, estamos vendo manchas de petróleo chegando em várias praias do Nordeste, já afetando a natureza, os animais marinhos, as pessoas, o turismo e a economia dessas regiões. A origem desse petróleo ainda é desconhecida. Enquanto isso, a mancha já foi registrada nas costas de Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Sergipe e Bahia, segundo dados do Ibama. São mais de 100 locais em todos os estados da região nordestina.

Esse cenário é preocupante. E mostra um dos efeitos colaterais da exploração petrolífera, uma atividade exploratória que já deveria estar no passado, mas na qual o governo continua querendo investir. E a demora das autoridades em identificar a origem e mitigar os impactos do petróleo que se alastra prova que o governo não está preparado para responder a casos de derramamentos, como esse. 

Nesta quinta-feira (10 de outubro), o governo, por meio da Agência Nacional do Petróleo (ANP), está leiloando mais blocos para serem explorados, de onde deve sair mais e mais petróleo. O mesmo governo que demora um mês para agir em uma emergência quer vender mais espaços no mar para que empresas perfurem e busquem por petróleo. 

É inadmissível que ainda coloquemos em risco ecossistemas inteiros e regiões sensíveis em nome do lucro e de uma fonte de energia que é uma das principais responsáveis pelas emissões de gases de efeito-estufa e pela emergência climática.

Desde que as manchas foram avistadas, o Greenpeace vem se mobilizando com parceiros e voluntários para entender melhor o cenário. Os grupos de voluntários do Nordeste estão se organizando para visitar algumas das áreas impactadas e fazer seus relatos.

A atual falta de informação só mostra o quão despreparado é o Brasil em relação à vigilância e à proteção de nossos oceanos. E isso só está piorando com a agenda antiambiental do presidente Bolsonaro. Nós, enquanto Greenpeace, continuamos na vigilância e no combate a qualquer ameaça ao meio ambiente.