Dar voz à população, entregar equipamentos para limpeza das praias, pesquisar os impactos do óleo nos recifes de corais. A atuação do Greenpeace e dos grupos de voluntários foi intensa na crise do óleo. Relembre o que fizemos.

Manchas de óleo na comunidade Piracanga (Bahia)
© Nilmar Lage / Greenpeace

O ano de 2019 foi marcado por uma tragédia ambiental em nosso litoral: o aparecimento de manchas misteriosas de petróleo cru que ao longo de meses atingiram mais de mil localidades em pelo menos 130 municípios de 11 estados, entre Maranhão e Rio de Janeiro.

Esse petróleo, até hoje sem dono revelado, contaminou áreas sensíveis, como praias, mangues e inúmeras espécies da vida marinha. Trouxe impactos na saúde dos moradores locais e causou prejuízos econômicos para muita gente, principalmente para quem vive da pesca e do turismo. Até hoje a população sofre com tudo isso.

Naqueles meses tensos de 2019, o Greenpeace Brasil enviou equipes para a região afetada. Nossos grupos de voluntários de São Luís (MA), Fortaleza (CE), Recife (PE) e Salvador (BA) agiram prontamente e se dedicaram tanto a coletar informações sobre o impacto do óleo em relatos e fotos, quanto a arregaçar as mangas e limpar as praias junto à população que estava sem apoio do governo e das autoridades locais. Voluntários do Brasil todo fizeram mobilizações em solidariedade ao povo do Nordeste. Uma parte importante do trabalho também foi a distribuição de Equipamento de Proteção Individual (EPIs), como luvas, máscaras e macacões, algo fundamental para o trabalho de limpeza devido ao risco de contaminação do petróleo. 

Expedição mapeou áreas do fundo do mar para entender o impacto do óleo. Convidamos pesquisadores do Departamento de Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e do Projeto Conservação Recifal para coletar amostras de sedimentos e água entre os estados de Pernambuco e Alagoas.
© Luiza Sampaio / Greenpeace

Outra frente de trabalho foi de pesquisa e investigação. Montamos temporariamente duas bases operacionais, uma em Porto de Galinhas (PE) e uma Caravelas (BA). De lá pudemos acompanhar de perto o trabalho da população que estava ativamente combatendo as manchas que chegavam, como as marisqueiras de Pernambuco, que trocaram o trabalho pela limpeza dos mangues, de onde tiravam seu sustento, ou as mulheres de Cumuruxatiba, que ficaram por semanas de prontidão, de olho na chegada de novas manchas. Também ouvimos os pescadores que temiam passar fome e os que desistiram de pescar, afinal, não vendiam mais nada. 

Percorremos 226 quilômetros da costa de Pernambuco e Alagoas em um veleiro, realizando mergulhos de até 20 metros de profundidade com pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais. Eles coletaram amostras de sedimentos para averiguar o impacto nos recifes de corais.

Ao entrevistar e expor a situação das pessoas em maior situação de vulnerabilidade, como os pescadores e as marisqueiras que ficaram sem renda e viram a fome de perto, demos voz àqueles que dificilmente recebem atenção do poder público. Foi um trabalho intenso e muito relevante em um momento sensível a essas pessoas.

Hoje estamos apoiando a mobilização de pescadores e marisqueiras que lançaram a campanha “Mar de Luta – Justiça Social aos Povos das Águas Atingidos pelo Petróleo” (saiba mais no nosso blog:Um ano depois, população lança campanha para não ser esquecida“)

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