Sem oxigênio, Manaus vive dias cruéis. Desde o início da pandemia 5.930 pessoas já foram a óbito e 1.581 estão internados com a doença no estado

As fotos mostram cilindros de oxigênio da organização Expedicionários da Saúde (EDS) que serão doados e transportados pelo avião do Greenpeace Brasil para comunidades indígenas e para regiões remotas do estado do Amazonas, que estão enfrentando os impactos da pandemia. © Greenpeace Brasil

A maior cidade da região Norte do Brasil, Manaus, passa mais uma vez pelo drama do colapso da saúde pública frente à Covid-19. Com hospitais sem leitos e sem oxigênio, o número de enterros diários na capital do Amazonas tem batido recordes.

Nós, do Greenpeace Brasil, lamentamos profundamente a situação e nos solidarizamos com todas as vítimas da Covid-19, seus familiares e os profissionais de saúde.

Assim como fizemos durante primeira onda da Covid-19 no país, continuamos comprometidos em apoiar as comunidades mais afetadas pela pandemia. Num momento em que a união da sociedade é essencial, estamos atuando com uma rede de organizações para disponibilizar recursos e a aeronave da organização para o transporte de suprimentos e de oxigênio para comunidades indígenas e para regiões remotas no estado, que sofrem com a precariedade do serviço de saúde e com a inexistência de leitos de UTI. 

Até ontem (14), foram  223.360 casos em todo o estado e um total de 5.930 óbitos confirmados desde o início da pandemia, segundo o último boletim da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS). O governo decretou toque de recolher em toda a capital por dez dias para frear o avanço da doença, entretanto, as medidas adotadas não estão sendo suficientes para conter a crise. 

A postura negacionista do governo federal e de alguns governos estaduais em relação à ciência e aos fatos tem mostrado consequências arrasadoras, não só na saúde pública, mas também na destruição do meio ambiente, na educação e em áreas essenciais para o bem-estar e a dignidade da população. 

São as pessoas em situação de vulnerabilidade que mais sofrem com a pandemia, com a crise climática e com a crise econômica. Só com o fim do auxílio emergencial, são estimados entre  21 milhões a 31 milhões de pessoas sujeitas à pobreza extrema, segundo a Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

O país precisa, mais do que nunca, repensar e avançar em propostas para uma sociedade igualitária, solidária, que valorize a vida e a proteção ao meio ambiente. Existem medidas concretas para conter o avanço da pandemia, assim como para reduzir a pobreza e zerar o desmatamento. Esse é um momento dramático na história do país, não podemos mais ignorar nossa responsabilidade como cidadãos e precisamos que as autoridades responsáveis tomem as devidas providências para priorizar o que temos de mais importante: a vida!