25 de julho é o dia da agricultura familiar e a retomada de políticas para a área, com verbas bilionárias, aumenta as esperanças no combate à fome 

Greenpeace Brazil and Greenpeace Germany carried out an expedition to Chapada do Apodi, in the Jaguaribe Valley, Ceará, Brazil to portray the impacts of agribusiness and highlight the struggle of the local population. The region gave rise to the "Zé Maria do Tomé" law, the first in the country to prohibit the aerial spraying of pesticides ("poison rain") and which bears the name of an activist murdered in 2010 for defending family and agroecological agriculture.

Family farmer from the Zé Maria do Tomé camp, in Chapada do Apodi (CE), in the municipality of Limoeiro do Norte.

Hoje (25/07) é celebrado o dia de quem mais coloca comida na nossa mesa: a agricultura familiar. E a sua importância é diária! A agricultura familiar é fundamental para a segurança e soberania alimentar em todo o mundo, e foi essencial para tirar o Brasil da fome em 2014. 

Apesar de sua relevância social, econômica e ambiental, a agricultura familiar viveu uma série de desmontes governamentais nos últimos anos. Enquanto isso, tragicamente, o Brasil voltava ao Mapa da Fome da ONU – atualmente, mais de 21 milhões de brasileiros não têm o que comer e 70 milhões estão em insegurança alimentar. Para reverter novamente essa realidade no país, a agricultura familiar é uma forte aliada. 

Em 2023, a instalação do Ministério do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura Familiar retomou a atenção e as medidas para a área. Após quatro anos de interrupção, a principal política foi restabelecida: o Plano Safra da Agricultura Familiar, com mais incentivos às mulheres, povos indígenas e comunidades tradicionais – o Plano Safra proporciona créditos rurais com redução de juros para investimentos na produção de alimentos.

Greenpeace Brazil and Greenpeace Germany carried out an expedition to Chapada do Apodi, in the Jaguaribe Valley, Ceará, Brazil to portray the impacts of agribusiness and highlight the struggle of the local population. The region gave rise to the "Zé Maria do Tomé" law, the first in the country to prohibit the aerial spraying of pesticides ("poison rain") and which bears the name of an activist murdered in 2010 for defending family and agroecological agriculture.

Banana plantation at the Zé Maria do Tomé camp, in Chapada do Apodi (CE), municipality of Limoeiro do Norte.

“A retomada do Plano Safra da Agricultura Familiar é um passo importantíssimo na política agrícola, ambiental e social do nosso país. A maior parte das pessoas empregadas na agropecuária estão na agricultura familiar”, explica a porta-voz de Agricultura do Greenpeace Brasil, Vanessa Pedroza. “Porém, embora seja o maior crédito rural da história para o setor, representa apenas 21% (R$77,7 bilhões) do que foi destinado para a agricultura empresarial –  R$364,22 bilhões. Precisamos inverter esse cenário!

Políticas de solução

Além da retomada do Plano Safra para Agricultura Familiar pelo Governo Federal, o Congresso Nacional aprovou a recriação do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), um importante instrumento de fortalecimento da agricultura familiar que foi enfraquecido nos últimos anos. 

No Brasil, a agricultura familiar emprega mais de 10 milhões de pessoas, representando 67% dos trabalhadores rurais, e é responsável pela renda de 40% da população economicamente ativa. O setor produz uma diversidade de alimentos que chegam até a mesa das famílias brasileiras, respondendo por 70% da mandioca, 42% do feijão preto, 71% do pimentão e 45% do tomate.

Greenpeace Brazil and Greenpeace Germany carried out an expedition to Chapada do Apodi, in the Jaguaribe Valley, Ceará, Brazil to depose the impacts of agribusiness and highlight the struggle of the local population. The region gave rise to the "Zé Maria do Tomé" law, the first in the country to prohibit the aerial spraying of pesticides ("poison rain") and which bears the name of an activist murdered in 2010 for defending family and agroecological agriculture.

A agricultura familiar é uma prática antiga que pode salvar o nosso futuro. Além de garantir comida no prato da população, a agricultura familiar estimula uma economia baseada no cuidado das pessoas e do Planeta, unindo conhecimento popular e científico. Mas, para que a sociedade seja cada vez mais sustentável, a agricultura familiar precisa de mais investimentos, alinhados principalmente à agroecologia. 

A agricultura familiar e agroecológica respeita os limites da natureza enquanto produz alimentos saudáveis e acessíveis para todas as famílias. Mesmo com sua importância, suas políticas foram paralisadas nos últimos quatro anos. Até que, em junho, o governo Lula retomou o Plano Safra da Agricultura Familiar, o Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que soma R$ 71,6 bilhões em recursos. 

Retomada do Pronaf 

O Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) do Plano Safra é uma programa do Governo Federal que oferece recursos e incentivos para apoiar a produção de alimentos da agricultura familiar. Na Safra de 2023/2024, o Pronaf teve algumas novidades.

Plano Safra da Agricultura Familiar 2023/2024

Maior volume de recursos 
O valor do Plano Safra para Agricultura Familiar é o maior da série histórica, R$71 bilhões. Somando com as demais ações e políticas para área – como compras públicas, assistência técnica e extensão rural – o valor totaliza em R$77,7 bilhões. Mas, ainda assim, o valor não chega a 22% do que foi destinado à agricultura empresarial.

Estímulo à produção de alimentos saudáveis
Agricultores familiares que optarem pela produção sustentável de alimentos saudáveis, com foco em orgânicos, sociobiodiversidade, bioeconomia ou agroecologia, terão ainda mais incentivos, com juros de 3% no custeio e 4% no investimento.

Mais crédito para mulheres, povos indígenas e comunidades tradicionais
Povos indígenas e comunidades tradicionais também serão beneficiados e terão melhores condições de acesso aos recursos, com aumento no financiamento de custeio para R$12 mil e de investimento para R$40 mil. Além disso, as comunidades quilombolas serão incluídas no crédito instalação da reforma agrária. Já o Pronaf Mulher terá financiamento de até R$25 mil e juros de 4%, e as quilombolas e assentadas terão desconto no Fomento Mulher de 90%.

Acesso à terra e incentivos à juventude
Decretos que retomam as políticas de acesso à terra serão assinados, o que possibilita compras para que o assentado inicie ou invista na produção; a criação do Fomento Jovem, uma nova modalidade voltada para a juventude rural; além de mais recursos e melhores condições para quem produz alimentos e para os assentados que vivem no semiárido.


Recriação do PAA

Outra ferramenta fundamental para a agricultura familiar é o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que permite a compra de produtos da agricultura familiar através de políticas de segurança alimentar e pela rede pública de ensino. Apesar de sua relevância, o PAA também foi enfraquecido nos últimos anos, mas, em julho, em votação simbólica, o Congresso aprovou sua recriação

Cozinha Solidária do Parque das Tribos em Manaus, Amazonas. 2022

O novo texto do PAA prevê incentivos para povos indígenas, comunidades tradicionais e mulheres participarem, e estabelece que pelo menos 30% do reservado pelo governo para a compra de alimentos a órgãos da administração pública federal deverá ser gasto com produtos de agricultores familiares.

O relator do projeto, Guilherme Boulos (PSOL-SP), incluiu na proposta a criação do Programa Cozinha Solidária, que fornecerá alimentação gratuita a pessoas em situação de rua e com insegurança alimentar. 

O PAA foi criado pelo governo Lula em 2003, há vinte anos, dentro do programa Fome Zero. De um lado, o programa leva comida a quem precisa e, de outro, gera renda para quem produz.

Faça parte também dessa solução! Participe do Manifesto pela Agroecologia.

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