A empresa buscava petróleo no território francês e próximo dos Corais da Amazônia. A notícia encerra a possibilidade de outras empresas atuarem na Guiana Francesa e colocarem o ecossistema em risco.

Estruturas recifais encontradas entre 95 e 120 metros de profundidade, a menos de 150 quilômetros da costa da Guiana Francesa. A imagem foi feita durante uma expedição científica do Greenpeace junto a pesquisadores. © Greenpeace

A Total bem que tentou, mas a sorte não está do lado dela nos últimos tempos. Dias atrás, a empresa declarou que não encontrou petróleo no poço que estava perfurando na Guiana Francesa. E por que estamos comemorando? Temos duas razões: A primeira é que a atividade ali poderia ameaçar os Corais da Amazônia. A segunda é que isso encerra o jogo para a empresa atuar naquela região.

Em maio do ano passado, durante nossa expedição para estudar os Corais da Amazônia, descobrimos que esse ecossistema se estende até a Guiana Francesa. Foi uma descoberta e tanto, mas logo tivemos que atentar para a ameaça que ali pairava: a Total estava prestes a perfurar o fundo do mar perto dos recifes ali.

A empresa francesa também já havia tentado explorar petróleo na costa do Brasil e, também, a poucos quilômetros dos Corais da Amazônia. Mas o Ibama negou a licença para isso.

A indústria petrolífera, que costuma colocar o lucro na frente da preservação do meio ambiente, ficou com a má notícia. Nós, defensores dos Corais da Amazônia – e da natureza como um todo – comemoramos.

Nem a Total nem qualquer outra empresa poderá buscar petróleo na Guiana Francesa. Uma lei, aprovada pelo governo francês em 2017, passou a vetar qualquer nova fronteira de exploração de petróleo na França ou em seus territórios extra-mares. A Total perdeu sua chance e os Corais da Amazônia tiveram mais uma chance de se ver seguros.

Infelizmente, o Brasil não tem nenhuma lei como essa e existem empresas de olho no petróleo do fundo do mar, perto dos Corais da Amazônia. É por isso que mantemos nosso abaixo-assinado para evitar que qualquer empresa petrolífera ameace os Corais da Amazônia onde quer que eles estejam.