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Proposta para tornar Comissão Internacional da Baleia mais conservacionista é aprovada; mas ainda há ameaça da liberação da caça comercial

Salto da baleia jubarte © Scott Portelli

As baleias são fundamentais para a saúde dos oceanos e merecem viver tranquilas © Scott Portelli

O quarto dia da 67a reunião da Comissão Internacional da Baleia (CIB) pode ser comemorado por uma vitória histórica: foi aprovada a “Declaração de Florianópolis”, uma visão positiva e mais moderna para a CIB, que valoriza as baleias de uma forma que seus fundadores nunca poderiam ter previsto. Em 1946, o que predominava era o entendimento da baleia como um produto, uma atividade econômica, como a pesca. A proposta, apresentada pelo Brasil, Argentina, Colômbia, México, Chile, Costa Rica, Panamá e Peru, reafirma a proibição à caça comercial e enfatiza a missão da CIB na recuperação e conservação das baleias. Felizmente, este documento foi aprovado por maioria simples – 40 a favor e 27 contra.

Com a aprovação da Declaração de Florianópolis nesta quinta-feira (13), e a pressão de diversas ONGs presentes à reunião, como o Greenpeace, não restou outra saída aos países favoráveis à caça adiarem em um dia a votação da proposta indecente do Japão, de liberar uma caça sustentável, como se ainda existisse qualquer justificativa para matar esses incríveis animais. Ainda estamos acompanhando de perto as discussões para que esse absurdo não seja aprovado.

Como falamos ontem na reunião da CIB, a Declaração de Florianópolis reflete as mudanças na lei internacional em torno das baleias, a definição de uso sustentável, os métodos de pesquisa e o próprio ambiente oceânico desde que a CIB foi fundada em 1946. A observação de baleias vale mais de dois bilhões de dólares por ano, receita muito superior a da obtida pela caça, e que contribui para a subsistência de comunidades costeiras, inclusive em países em desenvolvimento.

Mais proteção no Atlântico Sul 

Na véspera, a proposta de criação de um santuário de baleias no Atlântico Sul não conseguiu o mínimo de votos suficientes para sua aprovação, mas  a Declaração de Florianópolis traz outro reflexo positivo: estabelece a região como de interesse especial para a conservação e uso não-letal de baleias.

Estamos começando a entender a importância das baleias no ecossistema, incluindo sua participação na ciclagem de nutrientes, e a valorizá-las pelo papel que desempenham ao longo de suas longas vidas, por exemplo capturando carbono e exportando-o para o fundo do oceano e sustentando a fauna de águas profundas.

Mesmo com a rejeição da criação do Santuário, tentaremos na próxima reunião da Comissão Internacional da Baleia daqui a dois anos. Desde 2014, o Greenpeace está em busca desta aprovação, e lançamos uma petição para fortalecer esse movimento. Continue ao nosso lado para que em 2020 possamos obter esta tão importante vitória!

* Leandra Gonçalves é bióloga, pesquisadora da Universidade de São Paulo e representante do Greenpeace na Comissão Internacional da Baleia