O Greenpeace Brasil é a favor da vida e de um ambiente saudável em primeiro lugar

Não podemos aceitar que, em um cenário dramático no qual o mundo soma esforços para seguir as recomendações da Organização Mundial de Saúde para conter o avanço da pandemia do coronavírus e evitar a perda de milhões vidas, o presidente Jair Bolsonaro vá na direção exatamente contrária. As comunicações e campanhas do Presidente da República  que trazem desinformação e convocam as pessoas de volta às ruas, comprometendo o isolamento social, são uma ameaça à saúde e às vidas dos brasileiros.  

O que o governo faz ao defender tamanho absurdo é colocar a vida das pessoas em segundo plano, algo irresponsável e desumano. O governo alega que a paralisação vai prejudicar a economia e que o impacto na população será maior que as mortes provocadas pelo coronavírus. Mas, assim como outros países estão fazendo, o momento é do governo federal centralizar forças e destinar recursos para que a população consiga cumprir as medidas de isolamento para a segurança de todos, especialmente dos mais vulneráveis, como povos indígenas e comunidades tradicionais, que são mais suscetíveis às doenças e têm difícil acesso a hospitais, e comunidades de baixa renda que não tem acesso à água, saneamento básico ou itens de higiene básica, dentre outros milhões de brasileiros que precisam de suporte especial para o enfrentamento da pandemia. 

Não deve existir uma polarização entre salvar empregos ou vidas, são duas questões incomparáveis. O apoio financeiro do Estado deve vir primeiro para a saúde e para garantir que as populações vulneráveis continuem vivendo, e depois socorrer a economia e as grandes empresas. É o Estado que precisa agir para centralizar esforços e minimizar os impactos sociais e econômicos da pandemia sobre o povo brasileiro, e não o contrário.

O momento é delicado e exige uma clara liderança em um único sentido. Os casos de Covid-19 estão em crescimento exponencial no país. Estados e municípios se preparam para uma escalada de ocorrências graves e se mobilizam para manter hospitais em caráter emergencial e evitar cenas como vistas na cidade italiana Milão. Após um mês da campanha “Milão não para”, as mortes na cidade causadas pelo coronavírus dispararam e chegaram a 4.474, e hoje o prefeito admite que errou ao apoiar tal campanha. 

Em vez de desorientar a população com minimizações irresponsáveis do grau do perigo que ela corre, o governo deve dar orientações seguras. É hora de nos protegermos, e ajudar aqueles que não podem se cuidar por conta própria.

O secretário-geral da ONU, os líderes das principais economias do mundo, bem como economistas, ex-presidentes e diretores do Banco Central e ex-ministros, a sociedade civil brasileira e mundial, defendem que a prioridade no combate à pandemia global do coronavírus é uma só: salvar vidas e proteger a população mais vulnerável dos impactos econômicos e sociais resultantes da pandemia. 

Nosso trabalho é orientado para assegurar um meio ambiente equilibrado para todos nós e as futuras gerações. E neste momento que pede por atenção e colaboração de todos, é em defesa da vida que nos posicionamos.

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