A bordo do veleiro Witness, que está em águas brasileiras para a expedição Costa Amazônica Viva, ativistas da organização ambiental exibiram faixas em prol da proteção da costa amazônica; 

Ação ocorreu nesta terça (26), no momento em que os presidentes partiam para a Ilha do Combu, na margem sul do Rio Guamá, para conhecer produtores locais de cacau

Veleiro Witness, do Greenpeace, leva mensagem pela defesa da Amazônia para a Ilha do Combu, em Belém, onde Lula e Macron visitaram populações locais. Foto: Enrico Marone/ Greenpeace Brasil

Belém (PA), 26 de março de 2024 – “Lula, declare a Amazônia uma zona livre de petróleo”. Essa foi uma das mensagens exibidas por ativistas do Greenpeace Brasil nesta terça (26), próximo à Ilha do Combu, em Belém, onde os presidentes Lula e Macron se reuniram para uma agenda bilateral com programação voltada a temas relacionados ao meio ambiente, povos indígenas e COP30.

A bordo do veleiro Witness, que está no Brasil para fomentar a produção de conhecimento científico sobre a dinâmica das correntes da Bacia da Foz do Amazonas e avaliar possíveis impactos da exploração de petróleo na região, a equipe do Greenpeace exibiu uma grande faixa com os dizeres “Petróleo na Amazônia Não” no momento em que passavam as embarcações da comitiva oficial dos presidentes. 

A pressão do governo, da indústria e de políticos locais para a abertura de uma nova fronteira exploratória na Margem Equatorial brasileira é grande. Porém, ao apostar em petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, o Brasil estará prejudicando não somente a sua sociobiodiversidade, mas “exportando” potenciais derramamentos de petróleo para os países vizinhos, incluindo a Guiana Francesa

“Será que o Lula contou para o Macron nesse encontro que grandes volumes de eventuais vazamentos e derramamentos de petróleo ocorridos na bacia da Foz do Amazonas tendem a ir para a Guiana Francesa, que é território francês?, questiona o coordenador da área de Oceanos do Greenpeace Brasil, Marcelo Laterman, presente na ação.

A costa amazônica é lar de uma biodiversidade única – é lá que está o Grande Sistema de Recifes da Amazônia e o maior corredor contínuo de manguezais do planeta, entre muitas outras espécies. Apesar disso, é na Bacia da Foz do Amazonas que está o bloco FZA-M-59, que já foi alvo de petrolíferas estrangeiras e que, atualmente, pode ser explorado pela Petrobras. Diante deste cenário, o Greenpeace Brasil começou uma campanha no ano passado pedindo que o governo declare a Amazônia uma zona livre de petróleo.

“Lula e Macron estão discutindo a COP30 em um território que está sob ameaça direta da indústria do petróleo. Já são mais de 200 blocos de exploração entre os já concedidos, em oferta e em estudo na bacia da Foz do Amazonas. O país, que tem as condições de liderar pelo exemplo a transição energética global e ser protagonista na agenda climática, deve ir de herói a vilão caso o governo insista na abertura de uma nova fronteira de petróleo na Amazônia. Ainda é tempo do presidente assumir a responsabilidade que traz nos discursos e declarar a Amazônia uma zona livre de petróleo”, afirma Marcelo Laterman.

A embarcação do Greenpeace usada na ação estava em frente à Ilha do Combu, na margem oposta de onde Lula e Macron foram  conhecer as populações que produzem cacau de forma artesanal e sustentável. A campanha de pressão para que os líderes entendam os riscos do petróleo à sociobiodiversidade da região da Foz do Amazonas também inclui mensagens em francês e português nas redes sociais do Greenpeace Brasil.

A presença do Witness em águas brasileiras é parte da expedição Costa Amazônica Viva, que viabiliza pesquisas científicas sobre a região da Margem Equatorial e avalia potenciais impactos da exploração de petróleo na região. A iniciativa busca dados que possam contribuir para um entendimento mais acurado sobre a trajetória de eventuais vazamentos de petróleo, já que não há um consenso científico sobre tais dinâmicas. Pelo contrário, há um dissenso fundamental: as modelagens de dispersão de óleo apresentadas pela Petrobras, que indicavam que ele não chegaria até a costa foram recebidas com ceticismo por oceanógrafos de renomadas instituições do país. 

Pesquisa com populações do Amapá

A Iniciativa do Greenpeace Brasil já resultou no estudo inédito Costa do Amapá: potenciais impactos do petróleo e alternativas socioeconômicas, lançado na última semana. A pesquisa foi apurada em seis municípios costeiros e um distrito municipal do Amapá, na região da Bacia da Foz do Amazonas, área que está na mira da indústria do petróleo. Entre os dados apresentados no relatório, 42% dos entrevistados têm expectativas negativas sobre a exploração de petróleo na região; 69,2% citam o vazamento de óleo como possível causa de impactos sobre a pesca e a vida marinha. A amostra também indica que 96% das comunidades costeiras do Amapá não participaram de nenhuma audiência pública sobre o tema.
Com a expedição Costa Amazônica Viva, o Greenpeace pretende fomentar o debate público em relação aos potenciais impactos do petróleo na região, cobrar responsabilidade das entidades de Estado (e o próprio governo) para que os povos do território e a ciência sejam escutados e que se respeite o Princípio da Precaução – que prevê a não implementação de projetos sem que haja consenso científico em relação à região e os potenciais impactos das atividades.

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