A barragem do Fundão, estrutura operada pela empresa Samarco, rompeu no dia 5 de novembro de 2015, no município de Mariana-MG, despejando 50 milhões de metros cúbicos de resíduos minerários no ambiente e criando uma “avalanche de lama”, que causou a destruição total e parcial de povoados mais próximos, como foi o caso de Bento Rodrigues, de Paracatu (distritos de Mariana-MG) e de Gesteira (distrito de Barra Longa-MG).

Depois de 15 dias percorrendo o leito do Rio Doce desde Bento Rodrigues, a lama da Samarco chegou ao município de Linhares (ES) na manhã do dia 20 de novembro de 2015, para encontrar o mar na tarde do dia seguinte. Para avaliar a extensão dos impactos na foz do Rio Doce, pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo realizaram o estudo Rompimento da barragem do Fundão (SAMARCO/VALE/BHP BILLITON) e os efeitos do desastre na foz do Rio Doce, distritos de Regência e Povoação, Linhares (ES).

O relatório é resultado da pesquisa “Depois da lama: os atingidos e os impactos na foz do Rio Doce” realizada junto com os atingidos e atingidas pelo rompimento da barragem do Fundão na região da foz do Rio Doce, nos distritos de Regência e Povoação (município de Linhares), no estado do Espírito Santo. O trabalho de campo quantitativo ocorreu entre os meses de agosto a outubro de 2016.

“A responsável pela tragédia é que está definindo o que é dano e quem deve ser reparado, restringindo esse conceito a quem perdeu sua fonte de renda ou teve a estrutura da sua casa comprometida. Mas quando você conversa com os atingidos, percebe que os danos são mais extensos e profundos. A pesquisa fala da relação fundamental das pessoas com o meio ambiente, sua condição afetiva, de lazer e identidade, e isso precisa ser reconhecido como impacto, não só a dimensão econômica”, diz o sociólogo Hauley Vallim, um dos coordenadores do estudo. Segundo ele, é preciso dar visibilidade para outras necessidades que não são tão tangíveis, mas igualmente essenciais como comida e água potável.

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