A Semana Sem Carne nos lembra que reduzir o consumo significa colocar a Amazônia na frente dos bois

Studio shots of winter vegetables you can find in Central Europe and can be grown during winter or stored for overwintering.
Onion, carrots, brussels sprouts, beetroot, corn salad, pumpkin, potatoes, kale, red cabbage, chinese cabbage, parsley root, garlic, celery and leek.

Vivemos uma sequência tão absurda de acontecimentos que a equação final faz com que a vida pareça ficar cada dia pior. Enfrentamos uma pandemia, somos governados por líderes de moral questionável que expressam descaso com a vida, testemunhamos o derretimento das políticas socioambientais de Bolsonaro e diariamente acompanhamos ataques a quem defende uma existência em equilíbrio no planeta. 

É tanto ataque e tantos são os esforços que dedicamos para reagir a eles que acaba faltando espaço pra falar de tudo o que importa. Mas vamos fazer isso agora. Escolhemos pegar um pedaço desse “tudo que importa” e te chamar pra essa conversa.  

Eis que chegamos à Semana Mundial Sem Carne, que acontece entre 15 e 21 de junho. E aí você pode me questionar: “com tudo o que está acontecendo, você ainda vai me dizer pra ficar sem comer carne uma semana inteirinha?” Por que o Greenpeace vai falar disso num momento tão particular em que o antigo normal está em xeque e ainda sequer sabemos o que vai acontecer quando a pandemia arrefecer? Não tenho resposta, mas tenho uma aposta. 

A pandemia tem trazido muita dor, mas também algumas lições. Uma delas é que é possível, em questão de dias ou semanas, mudar hábitos que pouco tempo atrás pareciam impraticáveis. Por exemplo, deixar de comer qualquer comida na rua e cozinhar o próprio alimento. Além disso, novos espaços de ação e voz também foram descobertos; as janelas de grandes cidades se transformaram em um lugar de resistência e solidariedade. 

Por isso, apesar de todos os pesares, este não deixa de ser um momento oportuno para revermos nosso consumo de carne que, no Brasil, é produzida às custas de muita floresta e muitos direitos. Além da agropecuária ser uma das principais causas do desmatamento, é responsável por mais de 60% das emissões dos gases do efeito estufa que provocam as mudanças climáticas. E em uma série de denúncias, temos mostrado como ela vem pressionando de forma criminosa a floresta amazônica. 

A imposição de um padrão de consumo insustentável, alimentado por empresas globais e subsidiado por governos é bem perversa, com um custo absurdo para a sociedade. Premiar os que roubam terra pública, que colocam em risco a nossa biodiversidade, que expandem o gado sobre a floresta, que lucram à base de desmatamento na Amazônia e de invasão dos territórios indígenas, nada disso mais pode ser tolerado.  

Então, você me pergunta: “se há um grupo tão poderoso articulando a destruição da floresta e a imposição de uma carne que chega até mim mascarada como livre de desmatamento, como meu ato individual de consumo pode mudar ou fazer diferença num sistema perverso ditado por governo e por empresas tão gigantes?” 

O que eu te respondo é: se nos unirmos, nossa voz pode transpor fronteiras que parecem impenetráveis. E quanto mais fingirem não nos escutar, mais ergueremos a nossa voz. E a cada ato de consumo, a cada garfada, podemos mandar nosso recado aos tomadores de decisão de que um outro modelo de produção alimentar é possível e urgente! Que comprar da feira, do produtor orgânico que conhecemos e conversamos, que colher das hortas comunitárias e dos pequenos negócios deve ser um direito básico garantido. Não podemos abrir mão do direito de saber de onde vem e como é feito o que comemos. Temos força para questionar incansavelmente o SAC das empresas e para gritar nas redes, já que nas ruas não temos como, por ora, pedindo por uma produção mais justa, sem veneno, sem tanta carne e que honre os sabores e saberes da floresta de pé. A pandemia nos mostra que isso é possível.

Vem com a gente nessa Semana Sem Carne? Temos uma boa dica para te ajudar nessa empreitada. Um time de chefs, nutricionistas e influenciadores da boa alimentação compartilharam algumas de suas melhores receitas sem carne para o período de isolamento social. Elas estão reunidas no e-book “Quarentena Sem Carne“. O download é gratuito.

Sem a ajuda de pessoas como você, nosso trabalho não seria possível. O Greenpeace Brasil é uma organização independente - não aceitamos recursos de empresas, governos ou partidos políticos. Por favor, faça uma doação mensal hoje mesmo e nos ajude a ampliar nosso trabalho de pesquisa, monitoramento e denúncia de crimes ambientais. Clique abaixo e faça a diferença!