O Mar dos Sargaços é uma região riquíssima em espécies, mas que está extremamente ameaçada pela poluição por plástico

Estamos a caminho de um novo destino em nossa jornada em defesa dos nossos mares, o Mar dos Sargaços, onde estão as águas oceânicas mais claras do planeta. A região, que fica no meio do Atlântico Norte, também é berço de espécies que não são encontradas em nenhum outro lugar da Terra.

Infelizmente, o Mar dos Sargaços vive sob a ameaça de um problema mundial: o plástico. A questão do plástico na região torna-se ainda mais grave porque ele está em uma área cercada por correntes oceânicas que fazem um movimento como o que de um redemoinho, empurrando tudo o que chega até ali para um só lugar. O redemoinho é extremamente positivo para manter a concentração de algumas espécies de algas, que formam um berçário para filhotes de peixe e tartarugas marinhas.

Imagine um redemoinho jogando todo este material para um só ponto, bem onde está toda a riqueza de vida do Mar dos Sargaços. O plástico acaba virando alimento para peixes, tartarugas e baleias que comem esse plástico ou ficam engasgados com ele. E quando conseguem engolir, o plástico passa a fazer parte da cadeia alimentar voltando para ninguém menos do que… nós mesmos. Ao nos alimentarmos de algumas dessas espécies, já estamos trazendo plástico para dentro do nosso organismo.

Plastic and Sargassum off the Coast of Florida. © Peter Cross / Greenpeace

Tampinha plástica nas águas do Mar dos Sargaços. © Peter Cross / Greenpeace

Apesar de já termos ouvido falar muito sobre o problema da poluição por plástico, boa parte da atenção para o assunto é voltada para as soluções para o uso em terra, o que é extremamente importante. Mas o que nós estamos fazendo neste momento é dedicar esforços para ajudar os oceanos a lidarem com essa crise. A solução que propomos é a criação de Santuários Oceânicos, ou redes de Áreas de Proteção Marinha. Essas áreas são como parques nacionais que ficam fora do alcance das atividades humanas exploratórias, protegendo a vida selvagem e permitindo que os ecossistemas se recuperem.

A nossa passagem pelo Mar dos Sargaços à bordo do navio Esperanza é uma das etapas da nossa Expedição de um ano do Polo Norte ao Polo Sul .

Sargassum off the Coast of Florida. © Peter Cross / Greenpeace

Peixes no Mar dos Sargaços, berçário de vida marinha e refúgio para espécies que só existem ali. © Peter Cross / Greenpeace

A chegarmos na região dos Sargaços, vamos documentar o impacto do plástico neste ecossistema e coletar evidências científicas que possam contribuir para que a região se torne uma das áreas protegidas pelo Tratado Global para os Oceanos, que atualmente está sendo analisado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Mas você pode estar se perguntando… Santuários e Tratados vão impedir que as correntes oceânicas carreguem o plástico para o centro do redemoinho?

A resposta é não, é claro. Mas te convidamos a fazer o seguinte raciocínio: você já teve uma gripe? A pior coisa que pode acontecer quando você está doente é ter mais elementos que estressem o seu sistema imunológico. Ou seja, você não faria nada que te deixasse mais doente, como sair andando no frio e na chuva, certo? O que você mais precisa nesse momento é descansar.

A natureza funciona do mesmo jeito. Quando está sob pressão, como é o caso da poluição plástica ou aumento excessivo da temperatura, a melhor coisa a fazer é protegê-la de outros estresses como pesca excessiva, tráfego de embarcações que perturbem o ambiente e mineração em águas profundas.

A criação de Santuários Oceânicos fariam isso, protegeriam os oceanos de mais destruição. Com a criação dessas Áreas de Proteção, pelo menos temos tempo suficiente para responsabilizar as grandes corporações e acabar com o uso imprudente de plásticos de uso único.

Assine a nossa petição e ajude a darmos um passo importante na proteção dos oceanos. Continue acompanhando a nossa viagem em defesa dos mares, ambientes fundamentais para o equilíbrio da vida no planeta!

 Arlo Hemphill é campaigner do Greenpeace Estados Unidos e está a bordo do navio Esperanza, que navega na Expedição entre os Polos a caminho do Mar dos Sargaços.