Enquanto a população e o meio ambiente do Nordeste sofrem com os impactos do petróleo, governo realizou dois novos leilões de exploração

Voluntários do Greenpeace, em Pernambuco, protestaram contra o óleo que está chegando no litoral. Eles foram aos mangues, berçários da vida marinha, que podem levar cerca de 40 anos para se regenerar depois da contaminação com petróleo. Foto: © Eric Gomes / Greenpeace

Após comprovar a incompetência em lidar com um dos maiores desastres ambientais da história do Brasil, o governo mostrou que não entendeu a gravidade da situação e ofereceu novos blocos de petróleo na costa. Ontem (6) e hoje aconteceram, respectivamente, o leilão de Cessão Onerosa e a 6a Rodada de Partilha de Produção do Pré-sal. 

Somados, os leilões ofereciam áreas que podem abrigar até 20 bilhões de barris de petróleo, um petróleo que não podemos queimar se quisermos conter o aquecimento global médio em no máximo 1,5 oC até 2100. 

Mas o resultado foi ruim para todos, a não ser as próprias empresas que tradicionalmente fazem lobby por mais e mais benefícios para elas, às custas da população brasileira, e já começam a pressionar por mudanças nas regras. O governo não conseguiu exatamente o que queria, as empresas não se mostraram interessadas, e a sociedade brasileira continua sem incentivos para uma transição rápida e responsável em direção a fontes limpas e renováveis.

Enquanto isso, já são mais de dois meses desde os primeiros relatos de manchas de óleo na costa brasileira

A inação do governo federal nas primeiras semanas gerou impacto social, ambiental e econômico nas regiões afetadas. O governo se preocupa mais em dizer que a situação está sob controle e culpar terceiros, do que analisar e remediar os impactos ambientais e sociais. 

A rápida resposta dada pela população à chegada das manchas nas praias e manguezais seria heroica, não fosse a exposição da mesma ao risco de contaminação. A dificuldade de municípios e estados se mobilizarem em acionar os devidos recursos e materiais de proteção para voluntárias e voluntários deflagra um impacto que poderia ser evitado, o da saúde pública. 

“Em meio ao pior desastre ambiental relacionado a petróleo no Brasil, o governo federal parece rir na cara da população ao realizar dois leilões de petróleo”, diz Thiago Almeida, da campanha de Clima e Energia, do Greenpeace Brasil. Os impactos ambientais, sociais e econômicos desse crime ainda não podem ser contabilizados, mas comunidades pesqueiras e marisqueiras, setor hoteleiro e pessoas que vivem da venda de produtos nas praias já estão sentindo seus efeitos no bolso e exigindo as devidas e justas reparações. 

Vivemos uma emergência climática cuja causa principal é a queima de combustíveis fósseis. O governo federal precisa com urgência acelerar a transição para uma matriz energética 100% limpa e renovável, garantindo a expansão sustentável das fontes solar e eólica. Além de se apoiar nas iniciativas existentes de infraestrutura necessária para ver o setor de transportes livre do petróleo. O Brasil do futuro precisa ser livre de petróleo. O Brasil do futuro pode ser agora.