Grupo formado por representantes de várias etnias percorrerá 12 países europeus para mostrar a autoridades, empresas e sociedade europeia a realidade vivida pelos indígenas brasileiros

De 17 de outubro a 20 de novembro, uma comitiva de lideranças indígenas de diferentes etnias visitará 12 países europeus para denunciar a onda de violência que os povos originários do Brasil vêm sofrendo nos últimos tempos, em especial desde o início do governo Bolsonaro.

Realizada pela Articulação dos Povos Indígenas no Brasil (Apib), em parceria com outras organizações, a campanha Sangue Indígena: Nenhuma Gota a Mais quer pressionar o governos e empresas a cumprirem os acordos internacionais climáticos e de direitos humanos (inclusive direitos dos povos indígenas) dos quais o Brasil é signatário.

Para isso, as lideranças indígenas Sônia Guajajara, Célia Xakriabá, Angela Kaxuyana, Nara Baré, Elizeu Guarani Kaiowá, Kretã Kaingang, Alberto Terena e Dinaman Tuxá, farão a jornada para encontrar autoridades e representantes da sociedade europeia e denunciar a realidade dos povos indígenas brasileiros – que vivem um verdadeiro genocídio.

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A jornada começa na Itália durante o Sínodo dos Bispos para a Amazônia. Na sequência, as lideranças seguem para Alemanha, Suécia, Noruega, Bélgica, Holanda, Suíça, França, Portugal, Inglaterra e Espanha. Estão previstos encontros com autoridades e lideranças políticas, membros do Parlamento Europeu e da bancada verde, alto comissionado de órgãos de cooperação internacional, empresários, tribunais internacionais, imprensa, ativistas, ambientalistas e artistas.

Que denúncias serão feitas?

Os integrantes da Jornada Sangue Indígena vão apresentar dados levantados pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), que comprovam a “explosão” das invasões a territórios indígenas em 2019. De janeiro a setembro deste ano, foram 160 invasões em 153 terras indígenas contra 111 casos do tipo em 76 territórios em 2018. O ano de 2019 nem acabou e já se contabiliza um aumento de 44% no total de ataques e de 101% no número de terras atingidas, em relação ao ano passado.

Outro relatório que será apresentado é o divulgado pela Apib e pela Amazon Watch, que comprovou como empresas europeias e norte-americanas, entre bancos, madeireiras e fabricantes de acessórios, financiam a devastação da Amazônia.