Dados do Deter-B, do Inpe, apontam que alertas de desmatamento no bioma tiveram queda de 10% em maio, comparado ao mesmo mês em 2022. É preciso avançar na proteção da floresta

Rio Tapajós, no Pará. Conservar a Amazônia é garantir nossa sobrevivência no planeta.
© Rogério Assis / Greenpeace

Na Semana do Meio Ambiente, uma boa notícia para quem se preocupa com a proteção da Amazônia: segundo dados do sistema Deter-B, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), houve uma queda de 10% nos alertas de desmatamento na Amazônia, em comparação ao mesmo período no ano passado. No total, foram registrados 812 km² de alertas de desmatamento. 

Um outro dado positivo foi que houve diminuição de 31% nos alertas de desmatamento no acumulado dos cinco primeiros meses de 2023 (total de 1.986 Km²), em comparação ao mesmo período em 2022.

Mato Grosso, Pará e Amazonas foram os estados com os maiores alertas em maio: 379 km², 195 km² e 148 km², respectivamente. 

Na avaliação de Rômulo Batista, nosso porta-voz da campanha de Amazônia, a retomada das ações de proteção da floresta por parte do governo federal podem explicar a queda nos alertas pelo segundo mês seguido. No entanto, ainda é cedo para grandes comemorações. 

“A redução dos alertas de desmatamento em maio pode estar relacionada com a volta da atuação do Ibama que, nos últimos quatro anos, foi aparelhada por indicados políticos para executar a política antiambiental do governo Bolsonaro, mas que hoje volta a ter independência e atua diretamente na aplicação de multas e adoção de embargos.”

Para Rômulo, a atuação do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) ajuda a frear ou inibir a ação criminosa de desmatadores, grileiros, garimpeiros e madeireiros ilegais na Amazônia.

“Entretanto, referente aos dados acumulados de agosto a maio, presenciamos a maior área de alertas de desmatamento já registrada. É necessária uma política efetiva e um trabalho integrado com inovações tecnológicas, legais e infralegais para conter o avanço do desmatamento no bioma”, ele explica.

Desmatamento aumenta no Cerrado

A Cachoeira Acaba Vida, em Barreiras, oeste da Bahia, é uma das várias atrações turísticas na região próximas a grandes plantações de soja. É preciso proteger o Cerrado.
© Marizilda Cruppe / Greenpeace

Infelizmente, as notícias não são boas para o Cerrado, um bioma irmão da Amazônia e igualmente importante para o clima, a produção de água, a biodiversidade e a vida das pessoas. 

Os dados do Deter-B indicam que houve aumento de 83% nos alertas de desmatamento em maio, comparado com o mesmo mês em 2022, e 35% no acumulado de janeiro a maio de 2023.

O Cerrado é um bioma que ocupa boa parte do território brasileiro e é conhecido como a “caixa d’água” do Brasil, por seu enorme potencial de coletar e armazenar água. Possui uma biodiversidade riquíssima, mas segue ameaçado pela expansão da soja pelo agronegócio e por atividades ilegais. É fundamental que o governo tome medidas para proteger o Cerrado também.

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