Dos dias 25 de setembro a 01 de outubro, lideranças jovens irão se reunir na Tunísia, em um acampamento, para debater sobre mudanças climáticas e o impacto desigual nas pessoas em situação de vulnerabilidade.

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2022 (COP27) está próxima, será a 27ª edição do evento a ser realizada de 6 a 18 de novembro de 2022 em Sharm El Sheikh, Egito. A COP é o evento mais importante sobre clima no mundo, pois tem como proposta um debate sobre o avanço das mudanças climáticas e suas consequências, que estão cada vez mais sendo sentidas diretamente por nós. 

A grande questão é que, ainda que as mudanças climáticas sejam uma realidade global, suas consequências impactam a população de forma desigual. O continente africano, onde acontecerá o evento, é um exemplo dessa desigualdade por ser o continente mais impactado por mudanças climáticas e o que menos contribuiu para isso. 

Para entendermos a gravidade da situação, o jornal O Globo publicou um artigo comentando uma análise produzida pelo antropólogo Jason Hickel: “a pesquisa concluiu que os países desenvolvidos – ou Norte Global, conforme denominado por ele – foram responsáveis por 92% das emissões excedentes ao que seria uma parcela considerada justa para seu desenvolvimento. Somente os Estados Unidos representaram 40% do excesso das emissões, enquanto todos os países do continente africano emitiram menos gases do que a parcela justa para o seu desenvolvimento. Hickel denomina esse fenômeno como “colonização atmosférica”.

Diante desse fato viu-se uma oportunidade para falar e pressionar estados e empresas sobre um tema que é bem importante para todos(as): justiça climática. Através de uma organização coletiva do Greenpeace e diversas ongs do Oriente Médio e Norte da África surgiu a ideia de realizar um acampamento de jovens pelo clima na Tunísia, chamado Climate Justice Camp! (Acampamento de Justiça Climática). O objetivo deste encontro é construir relacionamentos e redes interseccionais para pensar e trabalhar em conjunto elaborando estratégias, táticas, narrativas e simbologias solidárias em prol do movimento climático do Sul Global.


#AcampamentodeJustiçaClimática está prestes a começar! 5 dias, mais de 50 organizações, 400 participantes, 100 sessões e 65 países.

Ao todo serão cerca de 350 a 380 organizadores, voluntários(as) e ativistas de mais de 60 países, de 30 organizações, quase inteiramente do Sul Global! A maior parte deste grupo será composta por participantes do Oriente Médio, Norte da África e África Subsaariana. Também espera-se uma representação significativa do Sul Global mais amplo, incluindo América Latina, Sudeste Asiático e Pacífico, bem como uma contingência menor de participantes do Norte Global presentes.

Os objetivos para a participação do Greenpeace Brasil no acampamento são fortalecer o movimento climático das juventudes através da nossa rede de voluntários(as) no Brasil e sua conexão com outros atores do sul global. Para não só desenvolver estratégias e debater sobre o impacto desigual das mudanças climáticas nas pessoas em situação de vulnerabilidade no Brasil e no Sul Global, como também propor soluções nas futuras COPs.

O Climate Justice Camp tem como foco os jovens como agentes de mudança e para representar a organização no evento, participarão quatro jovens que moram em regiões afetadas pelos eventos extremos e estão à frente de mobilizações nas temáticas de Clima e Justiça. Vem conhecer quem são as ativistas:

Luisa da Silva, 22 anos, estudante de Engenharia Florestal da Universidade Federal Rural da Amazônia, facilitadora do grupo de voluntários(as) de Belém, mentora do programa Maré Mobilizadora da Cooperação da Juventude Amazônida para o Desenvolvimento Sustentável (COJOVEM) e ativista climática. Dedicada ao trabalho com comunidades ribeirinhas desde seu segundo ano de universidade, suas pautas prioritárias de defesa são: bioeconomia; uso sustentável e múltiplo dos recursos florestais; comunidades tradicionais; racismo ambiental, agroecologia e juventudes pela justiça climática.

Valéria Melissa, 24 anos, Natural de Manaus, Amazonas. Técnica florestal, discente do curso de Geologia na Universidade Federal do Amazonas e ativista socioambiental desde os 9 anos de idade. Vem desde 2019 atuando com o time de voluntários do Greenpeace Brasil e Engajamundo. Atualmente compõe o comitê facilitador no núcleo do Engajamundo em Manaus. Suas pautas de interesse são: educação socioambiental, crise climática, racismo ambiental, soberania alimentar e comunidades tradicionais. Trabalha diretamente com a comunidade jovem da cidade de Manaus, e acredita na potência que essa geração tem de frear a crise climática.

Katley Ellen, de Caucaia, Ceará, 24 anos. É estudante de Gestão de Políticas Públicas na Universidade Federal do Ceará, ativista e mobilizadora climática. Voluntária do grupo Greenpeace Fortaleza, Engajamundo e do movimento Fortaleza Pelas Dunas, coordenadora do núcleo cearense do Climate Reality, integrante da mobilização do manifesto “Jovens Pela Educação Climática” e parte do LabPimenta. Suas pautas de interesse são: educação climática, justiça climática, criação de políticas públicas voltadas para a crise climática e interseccionalidade.

Samela Sateré Mawé, 25 anos, Indígena do povo Sateré Mawé, estudante de Biologia na Universidade do Estado do Amazonas, ativista ambiental no Fridays for Future, jovem comunicadora na Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), e da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA) e apresentadora no Canal Reload. Além de integrar a Associação de Mulheres Indígenas Sateré Mawé (AMISM) e o Movimento de Estudantes Indígenas do Amazonas (MEIAM). Creator pelo clima através da organização NOSSAS, fellow pelo Instituto Arapyau e membra de uma rede de lideranças  chamada Uma Concertação pela Amazônia.

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