E, com elas, novos riscos de tragédias para populações negras, indígenas e periféricas. Precisamos de cidades adaptadas aos eventos extremos já!

Os moradores da Vila Sahy, em São Sebastião, viram seus parentes e moradias serem soterrados durante o temporal que caiu no Carnaval. O descaso do poder público não pode continuar. © Diego Baravelli / Greenpeace

O mês de março começou e, com ele, as populações negras, indígenas e periféricas seguem ameaçadas de pagar com seus corpos, seus familiares, suas moradias e seus pertences o preço do abandono do poder público. Ano após ano, a temporada de chuvas em diversas regiões do Brasil é marcada por tragédias, como deslizamentos de terra, casas soterradas, pessoas desabrigadas e mortes, muitas mortes. 

O episódio mais recente, ocorrido durante o Carnaval nas cidades de São Sebastião, Bertioga e Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, deixou mais de 60 pessoas mortas e outras milhares de desabrigadas e desalojadas. Também em fevereiro deste ano, uma pessoa morreu e outras dezenas ficaram desaparecidas ou desabrigadas em São Gonçalo (RJ). E quem não se lembra que, pouco mais de um ano atrás, a população carioca sofria com outra catástrofe, desta vez em Petrópolis, resultando em 233 vidas soterradas? 

Tempestades esperadas para os próximos dias

Infelizmente, a previsão é de que diversas áreas do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do país receberão chuvas acima da média histórica neste mês. No caso do litoral norte de São Paulo, as chuvas que caíram na região foram as maiores registradas em 24 horas na história do Brasil, com um total de 683 milímetros, de acordo com informações do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Diante desses dados recordes, é preciso apontar duas coisas:

A primeira é que eventos extremos como fortes chuvas, secas e estiagens ficarão cada vez mais intensos e frequentes. Isso está acontecendo porque a crise climática já é uma realidade e precisamos nos adaptar a ela. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), dois milhões de pessoas morreram nos últimos 50 anos no mundo por consequência de eventos extremos e desastres naturais influenciados pelas mudanças climáticas.

A segunda é que já passou da hora de pararmos de culpar a chuva e nos concentrarmos em quem realmente precisa assumir a responsabilidade pela segurança das populações em situação de vulnerabilidade: o poder público, em suas diferentes esferas (municipal, estadual e federal). Os governos precisam implementar urgentemente políticas de adaptação e prevenção a catástrofes para áreas de risco já mapeadas no território brasileiro, para que as populações estejam de fato seguras. 

Atuar apenas quando o desastre já aconteceu é tarde demais e insuficiente. Precisamos de ações de longo prazo e que sejam construídas com as populações e comunidades impactadas, pois elas são parte da solução.

Todo mundo sofre com as consequências dos eventos climáticos extremos, mas quem morre são mulheres, crianças, pessoas pobres e negras. O nome disso é racismo ambiental e a melhor forma de combatê-lo é implementando medidas urgentes e efetivas. Justiça Climática já!

Ajude as famílias do litoral norte de São Paulo

Além de cobrar ação de nossos governantes, neste momento trágico, a solidariedade é fundamental para salvar vidas e ajudar quem mais precisa. O Greenpeace Brasil está recebendo doações para ajudar as famílias vítimas da tragédia do litoral norte de São Paulo. 

Os recursos estão sendo destinados à compra de alimentos agroecológicos, produtos e ferramentas para limpeza de casas e ruas, e equipamentos de proteção individual (EPIs). A crise climática mata; a solidariedade salva!

O Rio Grande do Sul enfrenta uma tragédia climática sem precedentes, com mais de 1 milhão de pessoas diretamente impactadas pelas fortes chuvas. Nossa campanha está destinando recursos para a compra e entrega de suprimentos emergenciais e apoiando cozinhas solidárias. Precisamos da sua solidariedade nesse momento tão crítico. Clique abaixo e doe agora.