Diante do esvaziamento do acordo, organizações pedem que grandes compradores corporativos de soja exijam de seus fornecedores a manutenção dos critérios ambientais

São Paulo, 2 de fevereiro de 2026 – O Greenpeace Brasil, o WWF Brasil e o Imaflora publicaram um comunicado conjunto, nesta segunda-feira, alertando que a saída da Moratória da Soja da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE) e das traders de soja que ela representa, como as empresas Cargill e Bunge, é um grave retrocesso ambiental, com possíveis impactos nas taxas de desmatamento da Amazônia, entre outras consequências negativas. Leia o comunicado na íntegra aqui.
“É escandalosa a decisão unilateral das traders de abandonarem a Moratória da Soja. Ao saírem do acordo, essas empresas assumem integralmente a responsabilidade pelos impactos ambientais, sociais, climáticos e reputacionais de tal decisão, uma vez que, com a Moratória esvaziada, abre-se caminho para a expansão descontrolada do cultivo de soja no bioma Amazônia, colocando as populações em risco, aumentando o desmatamento e as emissões de gases de efeito estufa no país. Esse cenário resultará em eventos extremos cada vez mais frequentes e severos no Brasil, como secas, ondas de calor e inundações”, alerta a porta-voz de Florestas do Greenpeace Brasil, Ana Clis Ferreira.
Empresas associadas à ABIOVE que abandonaram a Moratória da Soja
| ADM DO BRASIL AGREX AGRÍCOLA ALVORADA AMAGGI BTG PACTUAL BUNGE CARGILL CHS | CJ SELECTA COFCO DUAL FIAGRIL IMCOPA LOUIS DREYFUS COMPANY (LDC) 3TENTOS |
Diante desse retrocesso, o comunicado faz um chamado direto aos grandes compradores corporativos de soja – empresas de alimentos, proteína animal e varejo – para que exijam de seus fornecedores a manutenção dos critérios ambientais da Moratória da Soja, uma vez que transparência e responsabilidade socioambiental não são opcionais.
“As traders listadas acima, que abandonaram a Moratória, terão de prestar contas aos seus clientes, investidores, consumidores, ao mercado internacional e ao povo brasileiro. Já as empresas que desejam seguir com os critérios da Moratória da Soja enfrentam maior insegurança na rastreabilidade de suas cadeias, justamente porque parte relevante do setor decidiu abandonar regras claras, públicas e verificáveis”, afirmam as organizações no Comunicado publicado nesta segunda-feira.
O Greenpeace Brasil, o WWF Brasil e o Imaflora são organizações da sociedade civil signatárias da Moratória da Soja.
Acordo mais bem sucedido no combate ao desmatamento na Amazônia
Em vigor desde 2006, a Moratória da Soja é um acordo entre indústria, sociedade civil e governo para preservar a Amazônia, impedindo a compra de soja produzida em áreas desmatadas após julho de 2008. Entre 2009 e 2022, municípios monitorados pela Moratória reduziram o desmatamento em 69%, enquanto a área plantada de soja na Amazônia cresceu 344%. Apenas 3,4% da soja produzida hoje no bioma está fora das regras do acordo, um dado-chave para acesso a mercados exigentes como a União Europeia.
“Além de proteger a Amazônia do avanço da soja sobre a floresta, a Moratória da soja também reforça a credibilidade internacional do grão brasileiro, ainda mais em um momento crítico como o atual, em que diversas salvaguardas ambientais estão sob forte ameaça, seja na União Europeia, com o segundo adiamento da EUDR; seja no Brasil, com o Marco Temporal, a destruição do licenciamento ambiental e demais ataques à agenda socioambiental”, pontua Ferreira.
Entretanto, a Moratória da Soja tem sido alvo de ataques coordenados no Brasil com propostas legislativas, como a Lei 12.709/2024 do Mato Grosso, além de pedidos de investigação visando prejudicar o acordo de Desmatamento Zero mais bem-sucedido do mundo.
Um estudo preliminar do IPAM indica que o fim da Moratória pode aumentar o desmatamento no bioma Amazônia em até 30% até 2045, com impacto direto sobre as metas climáticas brasileiras (NDC) e metas de desmatamento zero.
Sobre o Greenpeace Brasil
O Greenpeace Brasil é uma organização ativista ambiental sem fins lucrativos, que atua desde 1992 na defesa do meio ambiente. Ao lado de todas as pessoas que buscam um mundo mais verde, justo e pacífico, a organização atua há mais de 30 anos pela defesa do meio ambiente denunciando e confrontando governos, empresas e projetos que incentivam a destruição das florestas.
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