Entre agosto de 2025 e julho de 2026, área desmatada no bioma foi de 3.335 km²
Resultado histórico é fruto da retomada de políticas de proteção da Amazônia, fiscalização e governança ambiental, mas ainda depende de decisões políticas que possam garantir essa trajetória;
Greenpeace Brasil e Pulso Público disponibilizam levantamento e análise de políticas que permitiram que o Brasil alcançasse esse marco positivo;

São Paulo, 16 de outubro de 2026 – O Greenpeace Brasil celebra o resultado histórico do Prodes, divulgado nesta sexta-feira (16) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que mostra que o desmatamento na Amazônia registrou, entre agosto de 2025 e julho deste ano, uma área de 3.335 km². Esta é a menor área desmatada na Amazônia desde o início da série histórica, em 1988. Em relação ao período anterior, de agosto de 2024 a julho de 2025, a diminuição na área desmatada na Amazônia foi de aproximadamente 42%.
Para o Greenpeace Brasil, o resultado deve ser celebrado como uma conquista de toda a sociedade brasileira e demonstra que é possível alcançar a meta de desmatamento zero até 2030, necessária para que o Brasil cumpra suas metas climáticas.
Ao mesmo tempo, os números evidenciam que, quando as políticas de proteção ambiental são retomadas, as instituições são fortalecidas e os instrumentos de fiscalização funcionam, é possível reduzir o desmatamento em larga escala.
“Este marco histórico do Prodes 2026 é o resultado direto de escolhas políticas, como o investimento em fiscalização, a manutenção de políticas públicas eficazes e o fortalecimento contínuo das instituições de controle, como o Ibama e o ICMBio. Manter a queda do desmatamento dependerá muito da atuação do governo federal e da forma como ele conduz o tema. Colocaremos tudo em risco se tivermos um governo antiambiental novamente”, afirma a coordenadora de Desmatamento Zero do Greenpeace Brasil, Cristiane Mazzetti.
Apesar da conquista histórica na redução do desmatamento, Mazzetti reforça que é fundamental que a sociedade brasileira entenda que esse marco tão importante está em jogo, assim como esteve entre 2019 e 2022, quando o Prodes registrou 45.612 km² de área desmatada na Amazônia. Entre 2023 e 2026, o Prodes registrou 24.648 km² de área desmatada. (veja a análise completa abaixo)

“Os bons resultados na queda do desmatamento vistos desde 2023 estão ameaçados pelo Congresso, que tem atuado para enfraquecer, adiar e desmantelar leis e regulamentações que ajudam a proteger o meio ambiente, a exemplo da nova lei que desmonta o licenciamento ambiental, aprovada em 2025. O próximo legislativo assumirá uma configuração ainda mais antiambiental e, a depender da próxima gestão federal, o potencial de retrocessos e de altas taxas de desmatamento aumentará drasticamente”, alerta Mazzetti.
Outro dado divulgado nesta sexta-feira foi a redução de 23,75% no desmatamento no Cerrado, a menor taxa registrada da série (desde 2001), o que reflete uma atuação importante na proteção do bioma.
Análise detalhada: 2019 a 31/08/2026
O Greenpeace Brasil, com consultoria política da Pulso Público, realizou uma análise detalhada de proposições legislativas, leis, decretos e outros atos normativos entre 01/01/2019 e 31/08/2026. Acesse a análise completa aqui
A análise demonstra que a queda do desmatamento foi sustentada, sobretudo, pela recomposição do poder de fiscalização e da governança infralegal do Poder Executivo Federal. A análise também evidencia que o Poder Legislativo intensificou uma das maiores ofensivas da história recente contra a legislação ambiental.
Entre 2019 e 2022, o Prodes registrou 45.612 km² desmatados – uma taxa 59,5% maior do que a do período anterior (2015-2018) e muito superior ao acumulado entre 2023 e 2026 ( 24.648 km²). Durante esse período, o poder público desmantelou instrumentos de proteção e o desmatamento cresceu. O Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAm), por exemplo, foi descontinuado.
O comitê orientador do Fundo Amazônia foi extinto, a participação da sociedade civil em conselhos como o Conama foi reduzida, a criação de núcleos de conciliação ambiental e de descontos em multas travou a aplicação de sanções, o Ibama foi enfraquecido e os orçamentos para a pauta ambiental foram reduzidos. Das 47 normas infralegais editadas, 34 foram classificadas como negativas, das quais 14 de alto impacto.
Entre 2023 e 2026, as taxas registradas somaram 24.648 km², uma queda de 46% em comparação aos quatro anos anteriores; em relação à taxa atual de 2022, representa uma queda de 71,2%. O resultado acompanha a retomada de instrumentos de comando e controle, com o restabelecimento do Fundo Amazônia, do PPCDAm e planos para os demais biomas. O Ibama também recuperou instrumentos de fiscalização, incluindo o embargo remoto de áreas com supressão ilegal de vegetação, exploração florestal e uso irregular do fogo em Terras Indígenas e outras áreas públicas da Amazônia Legal. Dos 193 atos infralegais, 177 foram classificados como positivos (90 de alto impacto) e apenas 1 como negativo.
“Os números do Prodes mostram duas trajetórias opostas: entre 2019 e 2022, os instrumentos de proteção foram desmontados e o desmatamento aumentou. A partir de 2023, foram recompostos e a taxa caiu. Isso nos mostra que, quando há vontade e priorização política, é possível avançar”, observa Cristiane Mazzetti.
- Cenário no Legislativo
O levantamento identificou 165 proposições de impacto negativo em tramitação ou aprovadas no Legislativo Federal (137 em tramitação e 28 com tramitação encerrada). A pesquisa apontou a quase inexistência de proposições de iniciativa parlamentar voltadas a agendas positivas, como a política climática, o manejo do fogo ou o combate ao racismo ambiental. No total, as matérias concentram-se em cinco eixos críticos: Crimes Ambientais (27 proposições), Direitos Indígenas e de Povos Tradicionais (45 proposições), Agroindústria e Questões Fundiárias (38 proposições), Licenciamento Ambiental (21 proposições), Mineração, Garimpo e Terras Raras (18 proposições).
“Do ponto de vista político-normativo, o avanço é vulnerável, e o esforço do Executivo pode perder ritmo e efetividade à medida que o Congresso aprova leis que fragilizam a gestão ambiental no país. Um exemplo claro disso é o PL 2564/2025, já aprovado na Câmara, que altera a lei de crimes ambientais e visa dificultar a fiscalização ambiental e os embargos remotos. O que impacta diretamente o trabalho atual do Ibama, que contribuiu enormemente para os resultados positivos”, detalha Mazzetti.
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