Parecer aponta falhas da Petrobras no controle documental de equipamentos de segurança crítica usados na perfuração de poço na Foz do Amazonas e sugere que o monitoramento da operação é insuficiente.

O veleiro Witness, do Greenpeace, conduziu a Expedição Costa Amazônica Viva com o objetivo de documentar os potenciais impactos da exploração de petróleo na costa amazônica. A região abriga uma biodiversidade única, incluindo o Grande Sistema de Recifes da Amazônia e vastos manguezais, que são essenciais para as comunidades locais em termos de alimentação e renda. Foto Greenpeace Brasil

São Paulo, 6 de fevereiro – Após a paralisação das atividades da Petrobras na Foz do Amazonas em decorrência de 18 mil litros de fluido vazado, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autorizou a estatal a retomar a perfuração no Bloco 59 mediante o cumprimento de uma série de requisitos básicos, demonstrando que a empresa estatal não atende o que deveria ser o mínimo para operar em uma área tão sensível e complexa como a Foz do Amazonas. 

No documento analisado pelo Greenpeace Brasil, a ANP aponta falhas da Petrobras no controle documental de equipamentos de segurança crítica, indicando que 15 juntas de riser (juntas que conectam plataformas de petróleo no mar aos poços no fundo do oceano) estavam a bordo sem certificado de conformidade. 

A ANP também sugere que o monitoramento da operação é insuficiente e passa a exigir que a Petrobras reduza o intervalo de coleta de dados de vibração (impacto gerado pela velocidade das correntes na tubulação) de 20 para 10 dias. 

“O parecer da ANP sobre o vazamento ocorrido no dia 4 de janeiro em um poço no Bloco 59 evidencia falhas graves da Petrobras no atendimento de requisitos mínimos de segurança na perfuração. O próprio documento reconhece que o acidente teve múltiplas causas, envolvendo desde a fragilidade na integridade dos equipamentos, até a ação de correntes marítimas intensas na Foz do Amazonas. Apesar desses apontamentos, a ANP não faz nenhuma menção ou análise relativa aos impactos ambientais decorrentes do vazamento de 18 mil litros de fluido no fundo do oceano e trata o evento de forma indevidamente simplificada”, analisa a coordenadora de Oceanos do Greenpeace Brasil, Mariana Andrade. 

“O incidente com o vazamento do fluído durante a operação não é um evento comum e não pode virar rotina em uma perfuração que está operando sob alta pressão e em condições ambientais complexas, como ocorre na Foz do Amazonas. Subestimar este risco e o potencial de novos acidentes adia uma decisão muito urgente de suspender a licença de operação da Petrobras na Foz do Amazonas”, completa Andrade. 

A Petrobras ainda não indicou uma previsão de data para a retomada das atividades.

Imagens para uso da imprensa

Fotos e vídeos do Greenpeace Brasil sobre a biodiversidade e comunidades da Foz do Amazonas disponíveis para reprodução, aqui.

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