Organização lembra que desastres em decorrência de eventos climáticos não são naturais e podem ser evitados.

Dados oficiais do Portal da Transparência do Estado mostram redução de 96% de investimentos voltados à infraestrutura de enfrentamento às chuvas.

Chuvas em Minas Gerais em 2022
© Isis Medeiros / Greenpeace

São Paulo – 25 de fevereiro de 2026 – As cidades de Juiz de Fora e Ubá, em Minas Gerais, já registraram quase 50 mortes e mais de 20 desaparecidos desde o início da semana em decorrência dos impactos das intensas chuvas que ocorrem no estado. Para o Greenpeace Brasil, a ausência de políticas públicas de adaptação e mitigação efetivas para o enfrentamento às chuvas e demais eventos climáticos extremos contribuem para esse cenário devastador. 

“Desastres em decorrência de eventos climáticos, sejam os de agora em Minas Gerais ou os vistos na Amazônia e nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul recentemente, não são naturais. Eles poderiam ser evitados com planos e políticas públicas de adaptação climática eficientes nos estados e municípios, com especial atenção para as comunidades periféricas, onde a vulnerabilidade e a falta de políticas públicas é ainda maior, refletindo o  cenário de injustiça climática e racismo ambiental brasileiro”, afirma a Coordenadora de Justiça Climática do Greenpeace Brasil, Leilane Reis.

A ausência de investimentos compatíveis com a dimensão do problema nos municípios e estados destinados às ações e políticas climáticas também é uma barreira para evitar tais desastres. Dados oficiais do Portal da Transparência de Minas Gerais, por exemplo, apontam que houve uma redução de 96% de investimentos voltados à infraestrutura de enfrentamento às chuvas no estado: entre 2023 e 2025, os valores destinados a essa finalidade passaram de cerca de R$ 135 milhões para pouco menos de R$ 6 milhões.

“Sem financiamento adequado para políticas de adaptação e para a implementação de medidas preventivas, as consequências dos eventos climáticos tornam-se mais catastróficas.”, afirma Reis.

Diante do atual cenário de agravamento dos eventos climáticos, o Greenpeace Brasil classifica como fundamental que todos os Municípios avancem com o desenvolvimento de suas políticas e planos de adaptação climática, alinhados ao Plano Clima, com apoio dos Estados e do Governo Federal.

O avanço da crise climática versus o investimento ao enfrentamento à desastres no Brasil

O avanço das mudanças climáticas têm aumentado a cada ano a frequência e a intensidade dos eventos extremos. Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) mostram que as Regiões Sul e parte do Sudeste — incluindo o sul/litoral de São Paulo, Espírito Santo e parte de Minas Gerais, onde ocorreram os atuais desastres — registraram um aumento de cerca de 30% no acumulado de chuvas anuais no período de 1991 a 2020, em comparação com 1961 a 1990.

De acordo com o Sistema de Informações de Desastres no Brasil (S2iD), entre 1991 e 2023 foram registrados 26.767 desastres climáticos relacionados a chuvas no país. Entre 2020 e 2023, a média anual de registros foi duas vezes maior (200%) que a da década anterior (2010–2019) e 7,3 vezes maior (730%) que a observada na década de 1990. No período entre 1991 e 2023, as Regiões Sul (37%) e Sudeste (31%) concentraram quase 70% dos registros de desastres relacionados a chuvas.

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