A agroecologia é um pacotão do bem para a nossa saúde, meio ambiente e justiça social. Entenda por que você deve apoiar essa forma de produzir alimentos.

Precisamos fazer da agroecologia o novo normal, já! © Barbara Veiga/ Greenpeace

Falar sobre boa alimentação está em alta nos últimos anos, mas, para muitas pessoas, o termo “agroecologia” ainda soa como um palavrão. Fizemos este blog para você entender melhor sobre esse conceito e como sistemas alimentares ecológicos podem contribuir para o bem viver das pessoas e do planeta. 

Spoiler: você vai notar que usamos a palavra “diversidade” muitas vezes ao longo do texto. De fato, ela é uma das chaves para o caminho rumo à boa alimentação.

1. A agroecologia cuida da nossa saúde e do meio ambiente ao mesmo tempo

Nada melhor do que se alimentar com algo que faz bem não apenas para o nosso mundo interno (nosso corpo), como também para nosso mundo externo (o planeta). A Adriana Charoux, nossa estrategista sênior de Agricultura, Alimentação e Floresta, gosta de dizer que a agroecologia nutre a um só tempo as pessoas e a terra. Ela explica: 

“Ainda que tenham diferenças entre si, os sistemas agrícolas de base ecológica colaboram para cuidar de nossa saúde e, ao mesmo tempo, têm enorme capacidade de aliviar os pesados impactos das mudanças climáticas e da perda de biodiversidade, além de contribuírem com a segurança alimentar e nutricional”.

Vantagens para a sua saúde:

Menos exposição a agrotóxicos e outros produtos químicos altamente nocivos e utilizados na agricultura convencional e industrial, que podem causar doenças como câncer, malformação fetal, disfunções hormonais e reprodutivas;

Aumento da nutrição humana, devido à maior variedade e qualidade dos alimentos.

Vantagens para o meio ambiente:

– A agroecologia vê a natureza como uma aliada na produção de alimentos e não como algo perigoso, que deve ser controlado ou exterminado para que somente uma cultura se desenvolva. A diversidade de espécies é fundamental;

– Mais respeito aos processos naturais dos ecossistemas, ao solo, à água e às espécies animais e vegetais;

Menor dependência de combustíveis fósseis, cuja queima é um dos grandes motores de emissão de gases de efeito estufa. 

Os sistemas alimentares de base ecológica são aliados da sua saúde e da saúde da Terra. © Barbara Veiga/ Greenpeace

2. Ao comprar alimentos agroecológicos, você fortalece os pequenos produtores familiares

Para quem pode escolher o que comer, optar por alimentos saudáveis e sem veneno já é muito bom. Agora, se você também puder desviar da porta dos grandes supermercados para comprar diretamente do agricultor familiar, melhor ainda!

Vantagens de encurtar o caminho entre a roça e o seu prato:

– Acesso a alimentos mais frescos e mais baratos;

– Fortalecimento da conexão entre as pessoas, porque as mãos que cultivam o seu combustível diário ganham um rosto de verdade;

O produtor é melhor remunerado e não fica refém de intermediários, como grandes redes de varejo, que impõem condições comerciais bastante injustas para os pequenos agricultores.   

Sobre isso, Adriana reforça: “Quando você elimina intermediários entre produtor e consumidor, é provável que gaste menos com alimentação de qualidade. Sem contar que, ao comer de forma saudável, diminui a chance de usar seu dinheiro com remédios de farmácia”.

Além disso, alimentos livres de agrotóxicos e sementes geneticamente modificadas (os polêmicos transgênicos) significam mais autonomia para o agricultor familiar e produtos mais baratos para você, porque esses insumos externos e tóxicos encarecem a produção e deixam os produtores dependentes de empresas ligadas ao agronegócio. 

Quando as mãos que cultivam seu combustível diário ganham um rosto, os laços entre as pessoas se fortalecem. © Marizilda Cruppe / Greenpeace

3. Alimentos agroecológicos podem alimentar todas as pessoas

A agricultura de base orgânica e agroecológica é totalmente capaz de alimentar as pessoas no Brasil e mundo afora. Mais do que isso, este tipo de produção é a forma mais segura e sustentável de produzir comida de verdade, saudável para as pessoas e para o meio ambiente no longo prazo. 

“Infelizmente, a lógica da produção agrícola atual está concentrada em produzir e exportar commodities, e não em fornecer alimentos saudáveis. Por isso, essa transição precisa acontecer de forma imediata!”, alerta Adriana.

Argumentos em defesa da agroecologia:

– O problema alimentar do mundo não está no modelo de agricultura em si, seja convencional, industrial ou agroecológico, e sim no conjunto de escolhas políticas e econômicas atreladas a determinada forma de produzir comida. Em outras palavras, se nossos governantes adotarem sistemas de produção, distribuição, comercialização e consumo de alimentos adequados e justos, toda a população poderá ter sua dose de nutrientes diária garantida; 

O atual sistema de produção de comida, que prioriza o acesso a alimentos industrializados em vez de alimentos in natura, não garante a segurança alimentar. Apesar de o mundo hoje produzir calorias suficientes para alimentar toda a população mundial, os jornais seguem mostrando notícias chocantes sobre dois extremos: de um lado, pessoas literalmente morrendo de fome; de outro lado, toneladas de comida indo para o lixo e aumento da obesidade em algumas populações;

Se incentivar a agroecologia direitinho, todo mundo come: mesmo ocupando menos de um quarto das terras usadas para a agricultura no Brasil atualmente, é a agricultura familiar quem mais coloca alimento de verdade na nossa mesa. A maior responsável pela produção agroecológica no país , ela produz cerca de 70% da nossa comida e representa 67% dos empregos da agropecuária do país, segundo o último Censo Agropecuário Brasileiro, de 2017.

Um exemplo de sucesso:

Hoje, o Brasil é o maior produtor de arroz agroecológico da América Latina. Grande parte dessa produção é garantida pelas mãos de 363 famílias assentadas do Movimento de Trabalhadores Sem Terra (MST), em áreas de reforma agrária distribuídas em 13 municípios do Rio Grande do Sul. Na safra de 2018/2019, a área plantada foi de 3.433 hectares (o equivalente a mais de 4.800 campos de futebol), divididos em 15 assentamentos. A estimativa de colheita foi de cerca de 16 mil toneladas de arroz! 

O que parece mágica não aconteceu da noite para o dia. A produção de arroz nos assentamentos começou de forma convencional, há 20 anos. De acordo com Emerson Giacomelli, um dos produtores de arroz da região, motivos bem sérios levaram os camponeses à transição para a agroecologia: “a profunda crise econômica do setor, o surgimento de inúmeros problemas de saúde, a poluição nos assentamentos, o manejo inadequado de recursos naturais devido ao uso abusivo de agrotóxicos e a busca de autonomia no plantio, beneficiamento e comercialização”.

O atual sistema de produção de comida, que prioriza o acesso a alimentos industrializados em vez de alimentos in natura, não garante a segurança alimentar. © Barbara Veiga/ Greenpeace

4. Agroecologia é sinônimo de diversidade

O Brasil é super reconhecido por suas comidas típicas, pelas tradições alimentares com sabores tão particulares e variados, de acordo com a região do país. Em tempos de mudanças climáticas e em que a agricultura industrial vem ditando os sistemas alimentares, essa mistura e variedade têm se perdido. Ou, pelo menos, não está presente nos supermercados. Temos milhares de espécies conhecidas, documentadas, centenas delas comestíveis, mas nossa dieta do dia a dia tem ficado cada vez mais empobrecida.

Na produção familiar, especialmente a de base agroecológica, seja qual for a técnica utilizada, o que reina são sistemas que se beneficiam da biodiversidade, do manejo combinado de alimentos e cultivo de floresta.

Vantagens da diversidade na produção de alimentos:

– Mais saúde e nutrientes para nosso corpo: uma agricultura diversificada pode facilitar o acesso a uma alimentação balanceada, tanto para os consumidores quanto para os próprios produtores, que passam a depender menos da compra de alimentos. Além disso, a Fiocruz mostrou que a diversidade na alimentação é uma ótima aliada no combate à desnutrição infantil;

Ajuda na manutenção dos ciclos da vida. Não é papo de “O Rei Leão”: culturas diferentes plantadas no mesmo espaço se apoiam mutuamente no crescimento e enriquecimento da terra. A variedade de espécies torna tudo mais colorido, tirando a monotonia, e a terra fica abastecida com nutrientes essenciais para que continue fértil, úmida, sequestrando carbono e mantendo serviços essenciais prestados pela natureza, como a chuva, para a continuidade da vida animal e vegetal;

Fortalece a soberania e a segurança alimentar. Por exemplo, se uma determinada cultura de feijão for duramente impactada por uma estiagem ou excesso de chuva, outra variedade pode ser mais resistente e vingar, evitando que a população sofra sem este alimento básico da dieta. 

A diversificação também é chave para garantir a sobrevivência de quem produz. Se um alimento não estiver em sua época de colheita ou não tiver valor interessante, o produtor poderá ofertar outros, ao longo das diferentes estações.

Um mundo de cores e sabores, sem monotonia: assim é a produção agroecológica. © Marizilda Cruppe/ Greenpeace

5. Agricultura com diversidade biológica e social tem enorme potencial econômico

A agricultura de base ecológica é o único caminho possível para uma recuperação econômica que garanta também justiça social e ambiental. Quando incentivamos a transição da agricultura convencional  para a agricultura ecológica, estimulamos uma economia baseada na diversidade  — biológica e de saberes.

Vantagens da agricultura com a floresta em pé:

– Valorização de alimentos nativos que a Amazônia, o Cerrado e outros ambientes naturais têm a oferecer, como açaí, guaraná, buriti, castanhas, frutas, sementes e muitas outras culturas;

– Ajuda a garantir a sobrevivência e autonomia de populações tradicionais, ribeirinhas, agroextrativistas, quilombolas e indígenas, que possuem valiosos conhecimentos sobre sistemas alimentares agroecológicos, acumulados por séculos;

– Intensificar o combate ao desmatamento faz com que o Brasil ganhe competitividade econômica. Lideranças de outros países já deixaram claro que não querem mais comprar produtos manchados com a destruição florestal; 

– É uma ótima oportunidade para que o Brasil não se limite à exportação de commodities como soja, milho e algodão, e gere mais empregos no setor.

Ao valorizarmos os alimentos nativos do Brasil, como o pequi, do Cerrado, estimulamos uma economia baseada na diversidade. © Marlon Marinho/ Greenpeace

Agora que você tem um monte de informação sobre a agroecologia, nada melhor do que compartilhar esse conhecimento com a família e pessoas amigas. É de grão agroecológico em grão agroecológico que a gente transforma a terra – e a Terra. 

ACESSE A LISTA DA AGROECOLOGIA AQUI