A Moratória da Soja está sendo esvaziada por decisão de grandes traders, e quem fez essa escolha precisa assumir publicamente a responsabilidade pelo que vem depois.

O Greenpeace Brasil, WWF-Brasil e Imaflora, organizações da sociedade civil que integram o organismo gestor da Moratória da Soja, divulgaram um comunicado conjunto denunciando o esvaziamento da Moratória da Soja por iniciativa da ABIOVE e de empresas que ela representa. O comunicado completo, assinado conjuntamente pelas organizações, está disponível ao final deste post.

Por quase 20 anos, a Moratória protegeu a Amazônia do avanço do desmatamento associado à soja, enquanto o setor crescia e lucrava. Agora, essas empresas optam por abandonar regras claras e verificáveis em troca de vantagens econômicas de curto prazo, reabrindo a porta para a destruição da floresta. Não se trata de imposição legal, mas de uma escolha empresarial consciente. Há riscos concretos de o desmatamento associado à cadeia da soja voltar a avançar na Amazônia, e será consequência direta dessa decisão.

Empresas associadas à ABIOVE que abandonaram
a Moratória da Soja :
ADM DO BRASIL / AGREX / AGRÍCOLA ALVORADA / AMAGGI / BTG PACTUAL / BUNGE / CARGILL / CHS / CJ SELECTA / COFCO / DUAL / FIAGRIL / IMCOPA / LOUIS DREYFUS COMPANY (LDC) / 3TENTOS

O que precisa acontecer agora?

Diante desse retrocesso, é fundamental que as traders que abandonaram a Moratória da Soja se posicionem de forma clara, individual e pública. É preciso dizer, sem ambiguidades, se continuam ou não comprometidas com o desmatamento zero na Amazônia. Isso significa reafirmar critérios concretos como a manutenção da data de corte de 2008 e explicar como pretendem impedir que a soja ligada ao desmatamento entre em suas cadeias, quais sistemas de monitoramento serão usados, quem fará a verificação independente dessas informações e quando esses dados serão tornados públicos. 

Compromissos vazios não protegem a floresta. Se a Moratória está sendo esvaziada, o mercado, os investidores, os consumidores e a sociedade brasileira têm o direito de saber quem está lucrando com isso e a que custo.

COMUNICADO CONJUNTO DE ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL SOBRE A MORATÓRIA DA SOJA:

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