Em Belém, Povos e Comunidades tradicionais da Amazônia discutem como o futuro da região passa por uma economia capaz de assegurar direitos e conviver com a floresta em pé

Na tarde desta segunda-feira (18), foi realizado um ato público com faixas e cartazes em frente à sede do Fórum Mundial da Bioeconomia. (Foto: Nay Jinknss/Greenpeace Brasil)

Quando falamos da Amazônia, uma coisa é certa: a defesa da floresta é uma construção diversa e coletiva, feita de gente, de ideias e de ações. O termo bioeconomia vem despontando como um elemento importante nessa discussão. Mas não é a bala de prata para a solução dos graves problemas amazônicos, decorrentes do alto grau de desigualdade social e do desmatamento na região.

A bioeconomia vem sendo tratada como uma nova forma de fazer negócios – mas o que isso traz de novo para os povos da Amazônia? Novas formas de produção e tecnologias são importantes, mas assegurar o futuro da floresta passa por um novo modelo de economia capaz de conviver com a floresta e assegurar direitos e distribuição de renda aos seus povos e comunidades tradicionais. 

A partir de hoje até a próxima quarta-feira (20/10), acontece em Belém o Encontro Amazônico da Sociobiodiversidade. Organizado pelo Conselho Nacional do Seringueiros (CNS) e pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), o evento vai ocorrer simultaneamente ao Fórum Mundial da Bioeconomia. Também sediado em Belém, o encontro internacional foi organizado em colaboração com o governo do estado do Pará, mas não integrou em sua construção e desenvolvimento a participação e representatividade dos movimentos sociais.   

Durante a abertura do Encontro Amazônico da Sociobiodiversidade, o presidente do CNS, Júlio Barbosa, destacou a importância do evento. “Acreditamos que o desenvolvimento da Bioeconomia não deve ser feito de forma isolada e que deve estar inserida num contexto mais global. Com a participação de todos os atores envolvidos, em especial das populações tradicionais que, além de ter o conhecimento, têm conservado estes sistemas florestais ao longo dos tempos”, afirmou.

A fala foi confirmada por Toya Manchineri, assessor político da Coiab. “Nós, povos indígenas e populações tradicionais, já promovemos a sociobiodiversidade há milênios, através de nossa relação com a floresta e com nossos territórios. É fundamental que a nossa atuação e importância seja reconhecida e fortalecida a partir de nossos conhecimentos. Estamos promovendo esse evento para criar um espaço de discussão e marcar nossa posição nesse debate sobre bioeconomia.”

Ao longo dos três dias de evento, serão realizadas diversas discussões com diferentes setores – desde convidados da sociedade civil e academia até representantes de empresas e governos. 

Parar a economia da destruição que hoje ameaça a conservação da Amazônia, viola direitos e alimenta a crise climática global, é tarefa urgente, e não pode mais ser adiada. O encontro reúne cerca de 150 lideranças de povos e comunidades para compartilhar suas vivências econômicas e estimular a sociedade brasileira a uma reflexão sobre os caminhos para garantir o desenvolvimento da Amazônia e do Brasil.

Na parte da tarde do primeiro dia do encontro, foi realizado ainda um ato público com faixas e cartazes em frente à sede do Fórum Mundial da Bioeconomia. A manifestação teve o objetivo de apresentar aos integrantes do evento internacional qual a visão dos movimentos sociais sobre o tema.

“Se quisermos discutir e consolidar uma Bioeconomia amazônica, é preciso conter a economia da destruição e forçar sua transição para uma Economia Ecológica, onde as pessoas e a natureza sejam prioritárias”, afirma Danicley Aguiar, porta-voz do Greenpeace Brasil.

Ao final do encontro, será redigida a Carta da Amazônia. Fruto dos três dias de discussões,  o documento marcará publicamente as principais recomendações dos povos tradicionais para uma necessária transição econômica. A ideia é permitir a conservação do bioma e o respeito aos direitos fundamentais de seus povos e comunidades tradicionais, bem como dos milhões de brasileiros que habitam as cidades da região.

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